Polícia e estudantes voltam a se enfrentar em greve geral na França

Protestos de hoje reúnem 1,1 milhão de pessoas; paralisação afeta transportes e abastecimento

estadão.com.br,

19 de outubro de 2010 | 13h40

  Estudantes enfrentam a polícia em Lyon. Foto: Robert Pratta/Reuters

PARIS - A polícia francesa voltou a enfrentar manifestantes contrários à reforma previdenciária do presidente Nicolas Sarkozy no sexto dia seguido de greves no país. Estudantes atiraram pedras e queimaram pneus em Nanterre, no subúrbio de Paris, e foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo.

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Uma escola secundária de Nanterre foi fechada após confronto de policiais e estudantes. Dois fotógrafos da agência Associated Press foram feridos durante o protesto. Em Le Mans, um colégio foi incendiado na madrugada.

 

Os confrontos mais violentos ocorreram em Lyon, onde jovens colocaram fogo em carros e latas de lixo e depredaram pontos de ônibus. Várias lojas foram saqueadas, e um fotógrafo da AP sofreu ferimentos leves.

 

Em Paris, cerca de 300 estudantes montaram barricadas nas praças da República, onde houve confronto com a polícia, e da Bastilha. Uma passeata levou manifestantes da Praça Itália até o castelo dos Inválidos, onde Napoleão Bonaparte está enterrado.

Segundo o governo, os protestos de hoje reuniram 480 mil pessoas em toda a França. A Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), a principal central sindical do país, ainda não divulgou dados gerais sobre as manifestações.

Greve geral

 

Sindicatos franceses têm uma longa tradição de protestos, mas a greve atual é particularmente preocupante porque afeta o setor de energia do país e está mobilizando jovens.

As greves, que afetam os serviços de trens metropolitanos, metrô, aeroportos, portos, correios e refinarias provocaram o cancelamento de centenas de voos e filas para abastecimento de combustível em diversas cidades.

De acordo com a agência francesa de aviação civil, metade dos voos do aeroporto regional de Orly, em Paris, foi cancelada. Em outros terminais do país, o índice de voos interrompidos é de 30%. A maioria das rotas afetadas são de voos domésticos e continentais de curta e média duração.

A greve das 12 refinarias do país continua a prejudicar o abastecimento de combustível. Cerca de mil postos de gasolina estão fechados.

 

Além disso, ao redor de 4.000 reservatórios de gás - o que representa 31% do total existente no país - estão vazias, segundo o Ministério do Meio Ambiente informou hoje.

Caminhoneiros deram prosseguimento à 'operação tartaruga' nas estradas do país. Cerca de 20 motoristas bloquearam um depósito de gasolina em Nanterre.

As paralisações também afetam cerca de 50% dos trens metropolitanos. O metrô de Paris também opera com metade da capacidade.

De acordo com o ministério da Educação, 379 escolas de ensino médio estão sem aula.

Em Marselha, os portuários e os garis também estão de braços cruzados. Pilhas de lixo estão se acumulando na calçada.

 

Reforma previdenciária

 

Os protestos tentam impedir que o Senado aprove uma lei que aumentará a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos de idade, com o objetivo de prevenir um buraco no sistema previdenciário enquanto a expectativa de vida no país só aumenta e poucos jovens contribuem com o sistema de pensões.

 

A população, no entanto, acredita que a reforma é apenas um passo rumo a destruição do Estado de bem-estar social francês, reconhecido por conceder benefícios sociais generosos, como férias longas, contratos que dificultam a demissão de empregados e um sistema de saúde subsidiado pelo governo.

 

O presidente Nicolás Sarkozy já afirmou que a reforma é prioridade de seu governo. A medida, no entanto, pode custar caro ao governante: pesquisas indicam que Sarkozy, que assumiu o poder em 2007, atravessa seu momento de maior impopularidade.

 

O último estudo, publicado hoje pelo jornal Liberation, diz que 61% dos franceses desaprovam seu governo, e apenas 35% são favoráveis ao presidente.

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Com Reuters e AP

 

Atualizado às 20h45 para acréscimo de informações

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