Polícia e governo trocam acusações na Grã-Bretanha

Scotland Yard não gosta dos ataques de Cameron no Parlamento e diz que críticas são feitas por quem ''não estava no país''

, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2011 | 00h00

LONDRES

A Scotland Yard e o governo britânico estão em rota de colisão por causa dos distúrbios em Londres. Ontem, a polícia rebateu o premiê David Cameron, que havia criticado o policiamento nos primeiros dias de violência e o fato de os saques não terem sido tratados como crimes comuns desde o início.

"As críticas vêm de pessoas que não estavam lá", disse o comissário interino da Scotland Yard, Tim Godwin, em referência ao fato de Cameron, de o prefeito de Londres, Boris Johnston, e de a ministra do Interior, Theresa May, estarem de férias na ocasião.

Colocando ainda mais lenha na fogueira, a comissão independente que investiga o assassinato de Mark Duggan - estopim dos protestos - admitiu ontem que pode ter "inadvertidamente" levado os jornalistas a acreditar que o homem disparou contra policiais - deixando nas entrelinhas a possibilidade de Duggan realmente ter sido executado.

O número de vítimas nos protestos subiu para cinco na quinta-feira - com a morte de Richard Bowes, de 68 anos, ferido na segunda-feira - e Cameron tentou ontem encerrar o mal-estar com a Scotland Yard, dizendo ter um "grande respeito" pelo corpo policial.

O bate-boca com a polícia só piora a situação do premiê, que vem sofrendo forte pressão para rever o plano de austeridade que cortou verbas e pessoal da área de segurança. Na quinta-feira, falando ao Parlamento, Cameron negou que as medidas do governo e a pobreza tenham provocado as revoltas e prometeu indenizar as vítimas.

De acordo com o governo britânico, os prejuízos causados pelos quatro dias de distúrbios superam os US$ 400 milhões. A estimativa foi feita por seguradoras e associações profissionais. Após duas noites de calma, a polícia informou que cerca de 1,6 mil pessoas foram detidas. As prisões, no entanto, devem continuar.

Por toda a Grã-Bretanha, a polícia está usando os recursos à disposição para identificar os culpados. Em Birmingham, as autoridades espalharam fotos dos procurados em um telão instalado em caminhonetes que percorrem as ruas da cidade.

Em Manchester, a polícia também espalhou pelas ruas cartazes gigantes com imagens captadas por câmeras de vigilância. Imagens dos envolvidos nos distúrbios serão projetadas em telões em Piccadilly Gardens, uma das áreas mais movimentadas da cidade.

Guerra. O grupo de hackers conhecido como "Anonymous" ameaçou ontem adotar retaliações contra o governo caso Londres permita o bloqueio das redes sociais em novos motins, medida sugerida pelo premiê no Parlamento. "Se Cameron derrubar as redes sociais, haverá sérias consequências", ameaçou o grupo no Twitter. / AP e REUTERSL

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