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Polícia e manifestantes entram em confronto no Paquistão

Manifestantes paquistaneses que protestavam contra o governo entraram em um confronto com a polícia, pouco antes de o líder da oposição, Nawaz Sharif, ter desacatado uma ordem de prisão domiciliar para integrar o protesto.

AE-AP, Agencia Estado

15 de março de 2009 | 14h09

Sharif anunciou ontem que lideraria a passeata contra o governo. A manifestação seria realizada por advogados e simpatizantes do partido de oposição que pedem a volta dos juízes destituídos pelo ex-presidente Pervez Musharraf.

Centenas de policiais cercaram hoje a residência de Sharif, em Lahore, e apresentaram uma ordem para que ele e seu irmão, Shahbaz, fossem detidos em prisão domiciliar por três dias, segundo Pervaiz Rasheed um porta-voz do partido. Sharif afirmou que a ordem era ilegal e posteriormente deixou o local em um comboio em direção à passeata contra o governo, que já havia se transformado em um cenário de violência.

"Estes são os momentos decisivos", disse Sharif a seus aliados antes de entrar em um carro. "Eu digo a cada jovem paquistanês que este não é o momento de ficar em casa."

Rao Iftikhar, um dos altos funcionários do governo, disse que as autoridades haviam reavaliado as restrições a Sharif e permitiram que ele fosse até a passeata, desde que voltasse para casa após a manifestação.

As autoridades do governo estacionaram caminhões em algumas das principais estradas e posicionaram tropas de choque em estações de trem e prédios do governo para conter os manifestantes, que avançaram sobre as barricadas e chegaram a atirar pedras nos policiais. As tropas do governo dispararam gás lacrimogênio e agrediram os manifestantes com cassetetes.

Posteriormente, os ânimos acalmaram, a polícia recuou e os manifestantes passaram a agitar bandeiras e a aclamar Sharif. Em entrevista à rede de televisão Geo, o líder da oposição paquistanesa afirmou que "estava grato à nação" por ter correspondido à convocação do protesto e que "este era um prelúdio da revolução".

A turbulência política no Paquistão começou em fevereiro, quando a Corte Suprema afirmou impediu que Sharif fosse candidato nas próximas eleições presidenciais do país por conta de condenações ocorridas anteriormente. Zardari alimentou a crise ao dispensar Sharif do governo da província de Punjab, a maior e mais rica do Paquistão.

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