AFP | 18.05.2016
AFP | 18.05.2016

Polícia e manifestantes opositores entram em confronto em Caracas

Polícia Nacional Bolivariana ergueu barricadas e dispersou a multidão com bombas de gás e balas de borracha na capital 

O Estado de S. Paulo

18 Maio 2016 | 16h52

CARACAS - A polícia venezuelana e manifestantes partidários da oposição entraram em confronto nesta quarta-feira, 18, em Caracas e outras cidades do país durante um ato pela realização do referendo revogatório do presidente Nicolás Maduro. A brigada antidistúrbio da Polícia Nacional Bolivariana ergueu barricadas e dispersou a multidão com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os opositores responderam com paus e pedras. 

Marchas convocadas pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática ocorreram em ao menos 20 cidades do país. No fim de semana, Maduro decretou estado de exceção no país alegando o risco de um suposto golpe contra ele. O prefeito do distrito caraquenho de Libertador, Jorge Rodríguez, vetou o acesso dos manifestantes ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que fica nos limites do município. 

Diversos grupos de policiais ocuparam pontos estratégicos da Avenida Libertador e da Praça Venezuela para impedir a chegada dos oposicionistas. Os opositores pediam a realização do referendo. "Colocaram mil empecilhos para impedir o referendo", disse a estudante Mary Olivares, de 28 anos. "Não querem revisar as assinaturas ( que pedem o referendo) e agora nos reprimem com esse estado de exceção."

O ato em Caracas, o terceiro em uma semana, reuniu milhares de pessoas, segundo os organizadores. Houve protestos também em Táchira, tradicional bastião da oposição, e em Barinas, Estado natal do presidente Hugo Chávez, morto em 2013. Na cidade de Coro, no Caribe venezuelano, alguns manifestantes se acorrentaram na rua. 

Na terça-feira, o governador de Miranda, Henrique Capriles, um dos líderes da oposição, pediu que a população boicote o Estado de exceção, que foi rejeitado pela Assembleia Nacional em votação ontem de madrugada. 

O decreto de Maduro pede poderes especiais para enfrentar a crise econômica e autoriza o emprego de "operaões especiais de segurança" contra uma ameaça de invasão estrangeira, supostamente patrocinada pela oposição e os Estados Unidos. O texto do decreto prevê ainda que grupos civis armados exerçam a segurança de supermercados em todo o país. 

 

Maduro diz ainda  que a oposição vende a ideia de que o país passa por uma crise humanitária para justificar uma intervenção armada. A Venezuela enfrenta uma espiral inflacionária que, segundo os últimos dados disponíveis, soma 180% ao ano. Há escassez alimentos e medicamentos em virtude da escassez de dólares para a importação determinada pelo governo. 

   

A oposição acusa o CNE de atrasar propositalmente os trâmites do revogatório para impedir que ele seja realizado ainda este ano e leve a novas eleições. Se o referendo ocorrer em 2017, segundo a Constituição, assumiria o vice de Maduro, Aristóbulo Istúriz. 

A MUD já recolheu 1,8 milhões de assinaturas para iniciar o processo - eram necessárias 200 mil -, mas o CNE, que é controlado pelo governo, pretende revisá-las biometricamente e deu prazo para concluir o procedimento até 2 de junho. Maduro diz que a consulta é inviável em virtude de uma tentativa de fraude nas assinaturas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.