Polícia e manifestantes voltam a se confrontar em Istambul

Enfrentamentos começaram após policiais tentarem retirar as pessoas da Praça Taksim

O Estado de S. Paulo,

11 Junho 2013 | 03h44

(Atualizada às 18h55) ISTAMBUL - A polícia antidistúrbio voltou a entrar na praça Taksim, em Istambul, usando gás lacrimogêneo e canhões de água, depois que milhares de manifestantes retornaram ao local na noite desta terça-feira, 11. Mais cedo, os policiais já haviam derrubado as barricadas improvisadas erguidas no local e usado gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de água contra os manifestantes que ocupam a área há mais de uma semana.

A ação policial, que acontece no 12º dia de protestos nacionais contra o governo, deu início a confronto com grupos manifestantes durante a tarde. A polícia usa gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de água para afastar os manifestantes do Parque Taksim Gezi, onde muitos estavam acampados. Alguns grupos disparam fogos de artifício, bombas incendiárias e pedras contra os canhões de água.

Pela manhã, os manifestantes haviam levantado barricadas e se preparavam para uma possível intervenção quando os policiais passaram a se concentrar na região. Enquanto a polícia entrava em conflito com alguns ativistas, caminhões de lixo e outros equipamentos começavam a retirar algumas das barricadas da praça.

Uma manifestação pacífica contra a reformulação do parque se transformou num teste para a autoridade do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan e mostrou a rejeição de muitos cidadãos em relação à sua forma de governo.  Erdogan, porém, deixou claro nesta terça-feira que sua paciência com os manifestantes chegou ao fim. Ele acusa os participantes de prejudicar a imagem da Turquia no exterior.

"Para aqueles que...estão em Taksim e em outras partes participando das manifestações com sentimentos sinceros, eu peço a vocês que saiam desses lugares e encerrem esses episódios e envio a vocês o meu amor. Mas, para aqueles que querem manter esses protestos eu digo: ''acabou''. A partir de agora não temos tolerância com eles". Erdogan fez as declarações antes de se reunir com o presidente Abdullah Gul para discutir os protestos, pela primeira vez desde que eles tiveram início. Ao contrário do premiê, Gul defendeu o direito dos cidadãos de expressar seus direitos democráticos.

Nesta terça-feira, a polícia deteve dois advogados que supostamente protestaram contra a repressão em Taksim, informou a agência privada de notícias Dogan. Colegas dos advogados correram para o tribunal para protestar contra a prisão e também foram detidos, informou a agência. De acordo com a agência estatal de notícias Anatólia, cerca de 50 advogados foram presos./ AP e REUTERS

Mais conteúdo sobre:
TurquiaprotestosPraça Taksim

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.