Polícia egípcia expulsa manifestantes da Praça Tahrir

A polícia expulsou neste sábado os manifestantes da Praça Tahrir, no Cairo, que haviam acampado durante a noite depois de um protesto de 50 mil pessoas, principalmente islâmicos, que pediam aos governantes militares a rápida transferência de poder para um governo civil.

REUTERS

19 de novembro de 2011 | 12h02

Cerca de 100 manifestantes haviam permanecido na praça, onde a polícia começou a desmontar barracas e confiscar cadeiras e cartazes, disseram testemunhas à Reuters.

Homens de barba e mulheres com véus eram a maioria na manifestação deste sábado, no que parecia ser o maior desafio islâmico ao governo militar desde que uma revolta massiva, em fevereiro, derrubou o governo autocrático do presidente Hosni Mubara.

Partidos liberais e de esquerda também marcharam para a Praça Tahrir para participar da manifestação, mas o protesto era amplamente islâmico, com membros do partido "Libertação e Justiça", da Irmandade Muçulmana, e salafis mais rígidos, representados por diversos partidos.

Manifestantes expressaram sua revolta contra um esboço de Constituição que o vice-premiê, Ali al-Silmi, apresentou para grupos políticos no começo do mês, que daria ao Exército autoridade exclusiva sobre suas questões internas e seu orçamento.

As eleições parlamentares do Egito, as primeiras desde que Mubarak foi deposto e que deve ser o primeiro passo significativo rumo a um sistema democrático civil, devem começar em 28 de novembro.

Mas a votação poderá ser prejudicada se partidos políticos e o governo não conseguirem resolver seus desentendimentos com relação à proposta constitucional que negaria a supervisão parlamentar sobre o Exército, o que potencialmente permitiria às forças armadas desafiar um governo eleito.

Mais de 39 partidos e grupos políticos se juntaram ao protestos de sexta-feira depois que negociações sobre o projeto constitucional fracassaram entre grupos islâmicos e o gabinete.

(Reportagem de Shaimaa Fayed)

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