AFP PHOTO / ATTILA KISBENEDEK
AFP PHOTO / ATTILA KISBENEDEK

Polícia encontra mais um caminhão com imigrantes na Áustria

Veículo transportava 26 pessoas entre sírios, afegãos e bangladenses; três crianças foram resgatadas em estado crítico

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2015 | 13h02

GENEBRA – Três crianças foram encontradas em estado criítico em mais um caminhão repleto de refugiados nas estradas da Áustria. Neste sábado, 29, as autoridades locais indicaram que identificaram um veículo transportando 26 imigrantes.

A polícia perseguiu o caminhão, até conseguir pará-lo na região de Branau. Ao abrir o veículo, encontraram sírios, afegãos e imigrantes de Bangladesh. Dos passageiros identificados, três crianças estavam em condições críticas. 

Também hoje, os quatro suspeitos de envolvimento na morte de 71 imigrantes numa estrada da Áustria foram levados diante de uma corte e acusados formalmente de tráfico de seres humanos. Os três búlgaros e um afegão haviam sido presos na Hungria na última sexta-feira e devem ser extraditados para Viena. Apesar de tentar dar demonstrações de endurecer a repressão contra o crime organizado, os governos europeus foram denunciados pela ONU por viverem uma “crise de solidariedade”. 

Os suspeitos chegaram algemados na corte da cidade húngara de Kecskemet e o procurador local pediu que o período para indiciar os supostos traficantes fosse ampliado para além das 72 horas que prevê a lei.

O caso se transformou em um espelho da crise que vive a Europa diante do maior fluxo de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Mas, para a ONU, são as barreiras europeias que estão permitindo que as redes criminosas possam se proliferar. 

Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU, pediu uma "resposta política coletiva" por parte da Europa e caminhos legais para que os imigrantes possam entrar no continente. Mas alertou que a UE vive "uma crise de solidariedade". No mesmo dia que os 71 refugiados morreram no caminhão, mais 200 poderiam ter naufragado nas costas da Líbia. Neste sábado, eram milícias líbias quem vasculhavam as cidades costeiras em busca de traficantes para “fazer justiça”. 

Criticada por ongs e pela ONU, a UE convocou uma reunião de ministros de Interior para este sábado, com a esperança de pensar em novo sistema de asilo para a Europa. Para a chanceler Angela Merkel, a crise de migração é um desafio maior para a Europa que a turbulência grega e o pior fluxo desde a 2a Guerra Mundial. 

Merkel também indicou que os líderes europeus podem se reunir de forma emergencial caso as posições dos governos se aproximem. Mas a falta de lista comuns de países que poderiam ser tratados como prioridade e sem um acordo sobre como dividir o fluxo de refugiados, a UE não dá sinais de ter uma resposta rápida ao problema. 

Ban, por sua vez, convocou uma reunião de emergência para o final de setembro, lembrando que são os conflitos armados pelo mundo que geram esse fluxo de pessoa. “A guerra na Síria acaba de se manifestar num acostamento da Europa”, disse, numa referência ao caminhão com 71 pessoas.

Mas, por enquanto, o que se vê é apenas uma série de prisões de traficantes isolados, medidas criticadas por especialistas como ineficientes. Na Itália, dez pessoas foram presas ontem, assim como na Austria, Bulgária e Sérvia. Segundo a entidade Médicos Sem Fronteira, um protesto eclodiu em cidades costeiras da Líbia diante da nova onda de mortes. 

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