AFP PHOTO / DOMINIQUE FAGET
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Polícia encontra munição e produtos químicos em casas de suspeitos de ataques

Segundo jornal alemão, policiais encontraram nitrato de amônio ao inspecionar residências de acusados; composto pode ser utilizado para fabricar explosivos

O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2015 | 13h05

BRUXELAS - Um jornal belga disse nesta terça-feira, 17, que a polícia encontrou munição e um produto químico possivelmente usado na fabricação de bombas nas casas de dois homens detidos na Bélgica sob suspeita de ações terroristas relacionadas com os ataques de sexta-feira em Paris. O Ministério Público belga não quis comentar a reportagem.

As inspeções nas residências dos dois acusados permitiram encontrar nitrato de amônio, um composto químico que pode ser utilizado para a fabricação de explosivos, informou o jornal La Dernière Heure. Segundo a publicação, a polícia também encontrou munição em uma das casas, incluindo balas de fuzis Kalashnikov do tipo usado por alguns dos terroristas que agiram em Paris.

Os advogados dos detidos dizem que eles são inocentes e foram envolvidos no caso porque dirigiram para Paris na manhã de sábado para buscar Salah Abdeslam, o principal suspeito, que está foragido. Ele teria telefonado para os dois homens para dizer que seu carro quebrou.

A polícia revistou o carro perto da fronteira belga, mas lhes permitiu passar. No entanto, mais tarde prendeu os dois homens e iniciou uma caçada intensa a Abdeslam.

Hamza Attou e Mohamed Amri foram as duas únicas pessoas das sete detidas na Bélgica que foram postas sob mandado de prisão na segunda-feira. Ambos foram acusados de "assassinato terrorista e participação em atividades de uma organização terrorista", enquanto os cinco restantes ficaram em liberdade sem acusações.

Os dois acusados asseguram que seu papel foi "meramente logístico" e que se limitou à mudança de Abdeslam da França para a Bélgica, sem terem participado de nenhum dos atentados de Paris, onde não se encontravam no momento dos incidentes.

Ao serem interrogados sobre a presença de nitrato de amônio em suas residências, os acusados explicaram que o utilizavam para fertilizar o jardim.

O advogado de Amri afirmou que ele e o homem não identificado tinham ido à Paris buscar Salah Abdeslam, 26 anos, para Bruxelas, na manhã de sábado. Os acusados dizem que não sabiam que Salah Abdeslam havia participado dos atentados e que receberam uma ligação sua horas depois dos ataques no Stade de France, na noite de sexta-feira. No entanto, a investigação aponta que essa ligação ocorreu na madrugada do sábado.

Attou e Amri pegaram Abdeslam no Boulevard Barbès, em pleno coração de Paris, por volta das 5h da manhã em um Volkswagen Golf propriedade de Attou e conduzido por Amri. O veículo passou pelos controles da polícia até três vezes sem ser parado, por isso chegaram até Molenbeek.

As versões sobre onde os acusados deixaram Abdeslam se contradizem. O ponto em que coincidem é que ambos não viram portando armas.

Segundo a emissora RTBF, os acusados eram frequentadores de um bar em Molenbeek que pertencia a Brahim Abdeslam, o irmão de Salah que morreu nos atentados de Paris ao detonar um colete de explosivos. /REUTERS e EFE

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