Polícia enfrenta manifestantes na Nigéria

A polícia da Nigéria prendeu líderes sindicais e entrou em confronto com manifestantes que atiravam pedras hoje em meio a uma greve geral em protesto contra o aumento no preço dos combustíveis decretado pelo governo do presidente Olusegun Obasanjo. Os protestos paralisaram Lagos, com seus cerca de 15 milhões de habitantes, e outras cidades do rico em petróleo mas convulsionado país do oeste da África. O movimento liderado por uma central que reúne 29 sindicatos, o Congresso Trabalhista Nigeriano, impediu a abertura do comércio, dos postos de gasolina e dos bancos - que os sindicatos aconselharam a "fechar as portas ou abrir o caixa". Em Lagos, a capital econômica do país, grupos de jovens em tumulto cantavam e agitavam folhas de palmeiras enquanto desfilavam pelas ruas desertas, quebrando os vidros de um ou outro ônibus ou táxi. A polícia enfrentou os manifestantes com gás lacrimogêneo e balas de borracha, ao que estes responderam atirando pedras. Não ficou claro de imediato se o enfrentamento provocou mortes ou ferimentos graves entre os manifestantes. Por volta do meio dia, a calma aparentemente retornou às ruas de Lagos. Em Abuja, os policiais prenderam dez chefes de sindicatos filiados ao CTN, entre eles seu principal líder, Adams Oshiomole durante uma manifestação pela manhã diante do Secretariado Federal, o maior complexo governamental em Abuja. Oshiomole recusou-se a acompanhar os agentes. "Quantas pessoas a polícia irá matar?", disse Oshiomole ao ser levado à força. Ele vão nos matar até cansar". O movimento foi decidido após o governo aumentar os preços - dos mais baixos do mundo - da gasolina e do diesel em 18% em 2 de janeiro. O preço do querosene aumentou 40%. Segundo o governo, o aumento de preços era necessário para estabilizar o fornecimento do produto, cujos cortes no mercado interno são comuns, apesar de o país ser o sexto maior fornecedor mundial de petróleo. A medida também é parte do plano governamental - apoiado pelo Ocidente e pelos credores da dívida nigeriana, de US$ 30 bilhões - para privatizar o mercado e combater a corrupção na indústria petrolífera, incluindo o contrabando do barato óleo nigeriano para países vizinhos. Para a central sindical, no entanto, o preço baixo dos combustíveis é um dos poucos benefícios de que goza a maioria dos nigerianos, extremamente pobres.

Agencia Estado,

16 Janeiro 2002 | 19h19

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