Luca Bruno/AP
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Polícia entra em confronto com grevistas na Itália

Sindicatos protestam contra os cortes de gastos e as reformas no mercado de trabalho que tornarão mais fácil para as empresas demitirem

O Estado de S. Paulo

12 de dezembro de 2014 | 14h44

MILÃO - Manifestantes e policiais entraram em confronto em algumas cidades da Itália nesta sexta-feira, durante o dia de greve geral que paralisou diversos serviços básico em 50 cidades do país. Milhares de trabalhadores realizaram passeatas em protesto contra reformas do governo que, afirmam, corroem seus direitos.

Em Milão, estudantes vestidos de Papai Noel pularam a cerca que protegia o prédio do governo regional, e foram repelidos pela polícia, que os dispersou com lacrimogêneo. Em Turim, os protestos também tiveram momentos de violência.

A greve geral é primeira organizada pelas duas maiores confederações sindicais contra o governo de centro-esquerda, que tradicionalmente é aliado aos sindicatos.

O primeiro-ministro Matteo Renzi disse que o direito à greve deve ser protegido, mas afirmou que a linha mais dura de seu governo é necessária para fazer com que a economia volte a crescer e a criar empregos. "O futuro pertence não àqueles que têm medo de mudanças, mas àqueles que têm a coragem e o desejo de mudar", declarou Renzi durante um fórum de negócios de Istambul.

Num sinal de desentendimento interno na legenda, alguns integrantes do Partido Democrático se juntaram às passeatas. Stefano Fassina, ex-vice-ministro da Economia, disse à emissora Sky TG24 que considera importante que alguém do partido marchasse ao lado dos trabalhadores.

A líder da Confederação-geral Italiana do Trabalho (CGIL, na sigla em italiano), Susanna Camusso, liderava uma passeata de protesto na cidade de Turin, norte do país, onde fica a sede da Fiat, um símbolo do encolhimento industrial da Itália. Camusso declarou que a mudança precisa ser feita "com, e não contra o povo" e que o governo deveria prestar atenção às vozes dos manifestantes.

Os sindicatos protestam contra os cortes de gastos e as reformas no mercado de trabalho que tornarão mais fácil para as empresas demitirem funcionários. A greve geral criou uma situação de caos, já que os transportes locais, escolas, portos e outros serviços fecham em horários alternados.

A taxa de desemprego da Itália passou dos 13% em outubro, seu pior nível desde 1977. O desemprego entre os jovens, que o governo de Renzi prometeu combater, chegou a 43%. Cerca de 70% das novas contratações na Itália são temporárias, e muitos jovens estão presos dentro dessa dinâmica de trabalhos de curta duração. / AP e DJN

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