Polícia equatoriana se rebela e Correa acusa oposição de golpe de Estado

Oficiais protestam contra reforma no serviço público e ocupam quartéis, aeroporto e o Congresso

estadão.com.br,

30 de setembro de 2010 | 12h08

Presidente Correa compareceu ao quartel onde ocorrem protestos. Foto: Dolores OChoa/AP

 

QUITO - Centenas de policiais equatorianos ocuparam nesta quinta-feira, 30, os principais quartéis do Equador. O aeroporto de Quito foi ocupado por oficiais da Força Aérea. Eles protestam contra uma lei de reforma no serviço público que lhes tiraria benefícios. O presidente Rafael Correa chamou as manifestações de uma tentativa de golpe de Estado promovida pela oposição.  

 

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O presidente Rafael Correa propôs ao Congresso uma lei de austeridade para diminuir a burocracia estatal e cortar privilégios de alguns setores do funcionalismo, para diminuir o déficit público do Equador. Deputados do próprio partido do presidente, a Aliança para o País, são contrários à reforma.

Com queima de pneus e bombas de gás lacrimogênio, os oficiais tomaram o Regimento de Quito e destacamentos policiais em Guayaquil e outras cidades. As estradas de acesso à capital foram fechadas. Segundo a televisão local, o aeroporto da capital está fechado após militares tomarem a pista para protestar.

 

Rafael Correa se dirigiu no início da manhã ao principal quartel de Quito para falar com os manifestantes.  Ele garantiu que não irá recuar nas reformas. "Se vocês querem matar o presidente, podem matá-lo", disse Correa em discurso diante dos manifestantes. "Este presidente não recuará um único passo", acrescentou Correa, no poder desde janeiro de 2007.

 

Bombas de gás lacrimogêneo foram disparadas contra o presidente e uma lhe atingiu no pé. Ele foi transferido para o hospital do quartel. Segundo Correa, manifestantes cercam o prédio e pretendem invadir seu quarto.

Na praça da Independência, centenas de simpatizantes do presidente estão reunidos. O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, convocou os partidários de Correa a marcharem ao hospital do quartel para retirá-lo de lá.

Policiais e guardas presidenciais se enfrentam. Foto: José Jácome Rivera/Efe

Protestos

 

Reportagens da imprensa equatoriana afirmam que os protestos nas sedes da polícia em Quito já se espalharam por várias partes do país. Aparentemente, os policiais não ameaçam derrubar o governo.

 

O jornal El Comercio afirmou que mais de mil policiais protestaram em frente aos quartéis, na parte norte de Quito, marchando e gritando que "Correa está com problemas, pois mexeu com a polícia". Os militares também tomaram o regimento em Guayaquil e em outras cidades, fechando ainda rodovias de acesso à capital.

 

O jornal El Universo, de Guayaquil, afirma que os policiais querem um bônus, a garantia dos anos previstos para as promoções, entre outros pontos. Em Guayaquil, vários pontos estão bloqueados pela polícia, entre eles a Ponte da Unidade Nacional e a de Portete.

Dissolução do Congresso

No final da noite de quarta-feira, a ministra de Políticas de Governo , Doris Solis, disse que Correa poderia solicitar a dissolução do Congresso à Suprema Corte para dissolver o Congresso.

 

Segundo a nova Constituição equatoriana, aprovada há dois anos, o presidente pode declarar impasse político e solicitar ao Judiciário a dissolução do Parlamento para resolvê-lo.

"É um cenário que ninguém quer, mas é uma possibilidade, quando as condições para a mudança não existem", disse Doris.

 

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Com Reuters, Efe e AP

Atualizada às 15h31

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