Polícia espanhola acha mais explosivos no País Basco

A polícia da Espanha encontrou nesta sexta-feira, no País Basco, uma outra carga de material explosivo enquanto equipes de resgate continuavam tentando recuperar o corpo do segundo homem morto em um grande atentado com carro-bomba realizado pela guerrilha ETA em um aeroporto de Madri, no sábado passado. O ataque abalou o processo de paz iniciado nove meses atrás e enfraqueceu o governo espanhol. De outro lado, a descoberta de mais explosivos alimenta temores de que o grupo separatista basco entre em ação novamente. A polícia do País Basco, região que o ETA deseja ver independente, disse ter encontrado outros 20 quilos de material explosivo na cidade de Atxondo. Na última quinta-feira, tinham sido achados 100 quilos de amonal (um tipo de explosivo) pronto para ser usado. "Um recipiente de plástico foi encontrado em um pequeno buraco cavado no chão. Dentro dele havia 20 quilos de nitrato de amônia e detonadores", afirmou a polícia basca em um comunicado, acrescentando que ainda está procurando por mais material do tipo. Em Madri, equipes de resgate continuavam escavando por entre toneladas de entulho para recuperar o corpo de Diego Armando Estacio, uma das duas pessoas mortas no atentado de sábado. Essas são as primeiras vítimas fatais do ETA desde 2003. Os dois eram imigrantes equatorianos. O corpo de Estacio foi encontrado na quinta-feira à noite com a ajuda de uma pequena câmera capaz de passar no meio do metal retorcido e dos pedaços de concreto a que foi reduzido o estacionamento do Terminal 4. As equipes de resgate acharam o corpo da outra vítima, Carlos Alonso Palate, na quarta-feira, e os restos mortais dele foram enviados ao Equador no dia seguinte. Um porta-voz dos serviços de emergência afirmou que poderiam ser necessárias várias horas até que o corpo de Estacio pudesse ser recuperado, e isso devido ao perigo de desabamento no local dos destroços. O ETA matou mais de 800 pessoas nos seus 40 anos de luta pela independência do País Basco, área localizada no norte da Espanha e no sudoeste da França. O grupo declarou uma "trégua permanente" em março. Apesar de a guerrilha não ter assumido oficialmente a responsabilidade pelo atentado de sábado, uma ligação telefônica alertando sobre o ataque foi feita em nome do ETA.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.