AP Photo/Emilio Morenatti
AP Photo/Emilio Morenatti

Polícia mata terrorista de 22 anos que atacou multidão com van em Barcelona

Descrito como tranquilo, tímido e bom estudante, Younes Abouyaaqoub usava colete com explosivos falsos quando foi abatido a tiros pela polícia

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2017 | 12h06
Atualizado 21 Agosto 2017 | 21h07

A polícia da Catalunha matou nesta segunda-feira o homem mais procurado da Espanha. Após 96 horas de fuga, Younes Abouyaaqoub, marroquino de 22 anos, autor do atentado de Barcelona e responsável direto por 14 mortos e mais de 130 feridos, foi abatido a tiros. 

Membro da célula terrorista da cidade de Ripoll, o jihadista que agiu em nome do Estado Islâmico (EI) planejava cometer atentados a bomba e foi cúmplice de outro ataque, também usando um veículo, na cidade de Cambrils, na madrugada de sexta-feira, quando uma pessoa morreu.

Abouyaaqoub fugiu do centro de Barcelona minutos depois do atentado. Na fuga, assassinou Pau Pérez, de 34 anos, encontrado morto com ferimentos de faca no interior de um carro na cidade de Sant Just Desvern, na periferia de Barcelona. Pérez foi a 15.ª vítima dos atentados.

 

O terrorista foi morto na cidade de Subirats, 50 quilômetros a oeste de Barcelona. Sua localização foi possível a partir de informações fornecidas por um agricultor local, que ligou para a polícia informando ter avistado em uma região de vinhedos um jovem com os traços semelhantes aos de Abouyaaqoub. Agentes dos Mossos d’Esquadra, a polícia catalã, foram enviados à região após o alerta. 

Na abordagem, o suspeito mostrou que portava um cinturão de explosivos e gritou “Allahu akhbar” (“Deus é o maior”) antes de ser atingido por disparos. Em seguida, agentes do esquadrão antibombas retiraram o cinturão, cujos explosivos eram falsos.

A confirmação do nome e do perfil do terrorista chocou a opinião pública espanhola. Longe do estereótipo de um homem violento, marginal e extremista, disposto a matar inocentes em nome do EI, Abouyaaqoub era querido por amigos e vizinhos. Nascido em 1995 em Mrirt, no Marrocos, vivia desde os 4 anos com a família em Ripoll, nas imediações de Barcelona. Chegou a cursar ensino superior em eletromecânica e trabalhava em uma empresa de soldas e manutenção industrial, onde era bem visto e pago com um dos melhores salários.

 

Por sua boa trajetória na escola, era tido como um exemplo pelos amigos, que o definiram ao jornal El País como “tranquilo, calado e tímido”. Fã de futebol, chegou a jogar em um clube amador. Sua maior paixão eram os automóveis. Aos 22 anos, já havia tido três, com os quais gostava de se exibir.

O perfil de jovem correto, no entanto, escondeu o de um homem pronto a unir-se a uma célula terrorista para matar inocentes. E, na família, não foi o único. Dos quatro irmãos, outro participou do atentado: Houssaine Abouyaaqoub, também abatido a tiros.

Na madrugada de sexta-feira, um grupo de cinco marroquinos havia sido executado pela polícia após o atentado de Cambrils: Moussa Oukabir, de 17 anos, Said Aallaa, de 19, Mohamed Hychami, de 24, Omar Hychami e Houssaine, os dois últimos menores de idade. Todos também portavam cinturões que simulavam explosivos.

A célula terrorista, que ao todo soma 12 pessoas, havia reunido uma centena de botijões de gás e vinha fabricando explosivos com TATP, substância muito volátil, em uma casa que explodiu de forma acidental na cidade de Alcanar, 200 quilômetros ao sul de Barcelona. No episódio, morreram dois membros do grupo. A polícia confirmou suas identidades como sendo Abdelbaki Es Satty, imã – autoridade muçulmana – de Ripoll, e Youssef Aallaa. 

Es Satty também é considerado o possível mentor dos atentados, responsável pelo recrutamento e pela radicalização dos demais. As primeiras investigações apontam que o imã teve contato com radicais islâmicos detidos em prisões da Espanha por envolvimento no atentado de 11 de março de 2004 na estação de trens de Atocha, em Madri. Esse atentado foi cometido em nome da rede Al-Qaeda.

Nesta segunda-feira, o chefe de Polícia da Catalunha, Josep Lluis Trapero, informou que a célula terrorista catalã foi completamente desarticulada. Dos 12 integrantes, 8 foram mortos e 4, presos. Mas as investigações prosseguem, pois se suspeita da existência de uma rede de cúmplices, até mesmo em outros países, como França e Suíça, na organização do ataque.

Enquanto a polícia desbarata a célula terrorista, equipes médicas de Barcelona continuam a tentar salvar a vida de 9 dos 50 feridos ainda internados em estado crítico.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.