CARLO ALLEGRI|REUTERS-29|09|2015
CARLO ALLEGRI|REUTERS-29|09|2015

Polícia faz buscas em BC argentino

Operação que investiga fraude atribuída ao presidente do banco, um kirchnerista, conta com agentes a serviço de candidato opositor

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2015 | 22h44

O juiz federal argentino Claudio Bonadio ordenou nesta terça-feira uma operação de busca no Banco Central argentino, como parte de uma investigação contra o presidente da instituição, Alejandro Vanoli, kirchnerista acusado de fraude. A ação foi executada pela polícia metropolitana, comandada pelo prefeito de Buenos Aires, o opositor Mauricio Macri, que no domingo enfrenta o governista Daniel Scioli pela presidência do país.

O candidato conservador, que aparece com vantagem de 3 a 10 pontos nas pesquisas divulgadas durante a campanha do segundo turno, antecipou que pedirá a renúncia de Vanoli caso seja eleito “por tratar-se de um militante kirchnerista”. O presidente do BC argentino é investigado por autorizar a venda de “dólar futuro” em contratos estimados em US$ 12 bilhões, volume superior ao usual.

Com essa operação, a Argentina vendia a moeda americana a 10,65 pesos, para entrega em março de 2016, uma forma de descomprimir a demanda atual. Empresas no mercado americano conseguiam fazer a troca por cerca de 14 pesos, valor médio da moeda no mercado paralelo, e lucrar cerca 40%.

“Ainda não se pode afirmar se houve fraude, mas a falta de dólares deu origem a mil operações legais e ilegais. A situação é crítica, não conseguimos dólares em decorrência de uma má administração econômica”, avalia o historiador especializado em economia Daniel Muchnick.

Ex-presidente do BC entre 2004 e 2010, maior parte dos dois primeiros mandatos kirchneristas, o economista Martín Redrado afirmou que “há muito para investigar sobre quem se envolveu nesses contratos”.

Desde 2011, a Argentina controla o mercado de câmbio, o que Macri promete mudar no primeiro dia de mandato. O país tem reservas US$ 26,3 bilhões, consideradas baixas por especialistas. O tema tornou-se central na reta final da campanha. Scioli acusa o rival de preparar uma desvalorização brusca do peso capaz de afetar o poder de compra de disparar a inflação.

Em um debate no domingo, o governista insistiu em associar Macri com um ajuste. Scioli propõe abrir o mercado cambial progressivamente, depois de recuperar as reservas. Macri argumenta que só Argentina e Venezuela têm semelhante restrição, que limita as importações, exportações e afasta investidores.

Embora o foco da acusação contra Vanoli seja uma operação econômica, a campanha eleitoral está relacionada a ela. A denúncia foi dia 30 pela coalizão de direita Cambiemos, de Macri. O pedido de investigação foi aceito pelo Ministério Público. “Queremos parar isso porque o BC quer complicar a vida de quem assuma em 10 de dezembro. Está vendendo dólares que não têm”, afirmou o economista Alfonso Prat-Gay, cotado para o ministério da Economia em um governo Macri. O presidente do BC considerou a denúncia eleitoreira e defendeu a operação. “Serve para dar certeza e evitar volatilidade”, afirmou Vanoli ao jornal governista Página 12.

Precedente. O juiz Claudio Bonadio, que determinou a operação, foi afastado em julho do caso Hotesur, que investiga o envolvimento dos Kirchners em um esquema de lavagem de dinheiro. Há indícios de que um dos hotéis da família na Província de Santa Cruz, no sul do país, teve a ocupação paga pelo empresário Lázaro Báez, sem que os quartos tivessem hóspedes.

O afastamento de Bonadio foi pedido depois de ele determinar uma ação policial semelhante em negócios da família, sob alegação de que ele havia perdido a imparcialidade por usar a polícia metropolitana, comandada por Macri, em uma inspeção em outra província. Bonadio argumentou que, se tivesse usado a Polícia Federal, a informação teria vazado para o governo kirchnerista.

O juiz federal argentino Claudio Bonadio ordenou nesta terça-feira uma operação de busca no Banco Central argentino, como parte de uma investigação contra o presidente da instituição, Alejandro Vanoli, kirchnerista acusado de fraude. A ação foi executada pela polícia metropolitana, comandada pelo prefeito de Buenos Aires, o opositor Mauricio Macri, que no domingo enfrenta o governista Daniel Scioli pela presidência do país.

O candidato conservador, que aparece com vantagem de 3 a 10 pontos nas pesquisas divulgadas durante a campanha do segundo turno, antecipou que pedirá a renúncia de Vanoli caso seja eleito “por tratar-se de um militante kirchnerista”. O presidente do BC argentino é investigado por autorizar a venda de “dólar futuro” em contratos estimados em US$ 12 bilhões, volume superior ao usual.

Com essa operação, a Argentina vendia a moeda americana a 10,65 pesos, para entrega em março de 2016, uma forma de descomprimir a demanda atual. Empresas no mercado americano conseguiam fazer a troca por cerca de 14 pesos, valor médio da moeda no mercado paralelo, e lucrar cerca 40%.

“Ainda não se pode afirmar se houve fraude, mas a falta de dólares deu origem a mil operações legais e ilegais. A situação é crítica, não conseguimos dólares em decorrência de uma má administração econômica”, avalia o historiador especializado em economia Daniel Muchnick.

Ex-presidente do BC entre 2004 e 2010, maior parte dos dois primeiros mandatos kirchneristas, o economista Martín Redrado afirmou que “há muito para investigar sobre quem se envolveu nesses contratos”.

Desde 2011, a Argentina controla o mercado de câmbio, o que Macri promete mudar no primeiro dia de mandato. O país tem reservas US$ 26,3 bilhões, consideradas baixas por especialistas. O tema tornou-se central na reta final da campanha. Scioli acusa o rival de preparar uma desvalorização brusca do peso capaz de afetar o poder de compra de disparar a inflação.

Em um debate no domingo, o governista insistiu em associar Macri com um ajuste. Scioli propõe abrir o mercado cambial progressivamente, depois de recuperar as reservas. Macri argumenta que só Argentina e Venezuela têm semelhante restrição, que limita as importações, exportações e afasta investidores.

Embora o foco da acusação contra Vanoli seja uma operação econômica, a campanha eleitoral está relacionada a ela. A denúncia foi dia 30 pela coalizão de direita Cambiemos, de Macri. O pedido de investigação foi aceito pelo Ministério Público. “Queremos parar isso porque o BC quer complicar a vida de quem assuma em 10 de dezembro. Está vendendo dólares que não têm”, afirmou o economista Alfonso Prat-Gay, cotado para o ministério da Economia em um governo Macri. O presidente do BC considerou a denúncia eleitoreira e defendeu a operação. “Serve para dar certeza e evitar volatilidade”, afirmou Vanoli ao jornal governista Página 12.

Precedente. O juiz Claudio Bonadio, que determinou a operação, foi afastado em julho do caso Hotesur, que investiga o envolvimento dos Kirchners em um esquema de lavagem de dinheiro. Há indícios de que um dos hotéis da família na Província de Santa Cruz, no sul do país, teve a ocupação paga pelo empresário Lázaro Báez, sem que os quartos tivessem hóspedes.

O afastamento de Bonadio foi pedido depois de ele determinar uma ação policial semelhante em negócios da família, sob alegação de que ele havia perdido a imparcialidade por usar a polícia metropolitana, comandada por Macri, em uma inspeção em outra província. Bonadio argumentou que, se tivesse usado a Polícia Federal, a informação teria vazado para o governo kirchnerista.

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