Polícia faz retrato-falado de suspeito de matar promotor em BH

A Polícia Civil de Minas Gerais elaborou um retrato-falado de um dos suspeitos de assassinar a tiros na sexta-feira o promotor de Justiça Francisco José Lins do Rego Santos, de 43 anos. As investigações, no entanto, estão sendo mantidas em sigilo e até o final da manhã de ontem o suposto retrato-falado não havia sido divulgado. A polícia aguardava ainda ontem o depoimento de uma testemunha que estava em um táxi próximo ao local do crime. A informação foi dada pelo próprio governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), que visitou o velório e acompanhou o enterro do promotor. A testemunha, segundo Itamar, poderá auxiliar no reconhecimento do autor dos disparos que mataram o promotor. "Esse passageiro viajou para São Paulo e vai ser conectado agora pela Polícia Civil. Ele vai ser ouvido ainda hoje e vamos aguardar o que (ele) tem a dizer e a confirmação do retrato-falado", afirmou o governador que se disse indignado com o assassinato e afirmou que a apuração do crime é uma "questão de honra" do governo mineiro. Uma equipe da Polícia Federal (PF), que decidiu entrar no caso, por determinação do diretor Agílio Monteiro Filho, teria feito buscas na residência de Francisco Lins do Rego, atrás de provas que possam auxiliar as investigações. O chefe da Interpol em Minas Gerais, delegado Tadeu de Moura Gomes, que preside o inquérito aberto pela PF, não confirmou a informação e também não quis dar detalhes sobre os procedimentos iniciais na apuração do assassinato. As investigações estão sendo feitas em conjunto pelas polícias, Civil, Militar e Federal. Queima-roupa - O assassinato ocorreu em plena luz do dia, diante de várias testemunhas, numa região movimentada da cidade. O promotor foi morto quando dois homens emparelharam uma motocicleta branca, sem placas, ao lado de seu carro. De acordo com informações preliminares, Francisco Lins do Rego foi atingido por 12 tiros, por um homem que estava na garupa da moto, sem capacete. As balas atingiram seu peito, a cabeça e o braço esquerdo. Itamar Franco determinou luto de três dias no Estado e pediu proteção especial para todos os promotores, principalmente, para aqueles que estavam ligados profissionalmente à vítima. Francisco Lins do Rego, que atuava na Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público de Minas Gerais, investigava a fabricação e venda de gasolina adulterada em postos da capital mineira e região metropolitana, a chamada "máfia dos combustíveis", o que levantou suspeitas de que tal investigação estaria relacionada com o crime. No ano passado o trabalho do MP levou ao fechamento de 22 postos da capital mineira e região metropolitana, acusados de vender gasolina adulterada. No início deste mês, oito pessoas, entre proprietários e diretores dos estabelecimentos, tiveram prisão preventiva decretada pelo juiz Geraldo Claret de Arantes da 3ª Vara Criminal de Contagem.

Agencia Estado,

26 Janeiro 2002 | 14h07

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