AP Photo/J. Scott Applewhite
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Polícia fecha Capitólio dos EUA por 'ameaça à segurança' após carro cruzar barreira

Motorista lançou veículo contra barricada de segurança, atropelando policiais e matando um deles; suspeito foi morto a tiros após sair com faca do veículo

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2021 | 14h48
Atualizado 02 de abril de 2021 | 20h16

WASHINGTON - Um policial morreu e outro ficou ferido nesta sexta-feira, 2, depois de serem atropelados quando um motorista lançou seu veículo contra uma barricada de segurança do Capitólio, em Washington. A sede do Legislativo americano foi isolada e posta em alerta máximo menos de três meses após ser invadida por extremistas.

Os dois agentes vigiavam a barreira norte do Capitólio, informou Yogananda Pittman, chefe interina da polícia do Capitólio. O suspeito saiu do carro com uma faca na mão e não respondeu às advertências verbais feitas por policiais que estavam no local, que atiraram nele. Um dos policiais havia ficado gravemente ferido e morreu. O outro está internado.

O suspeito foi identificado por um funcionário de alto escalão das forças de segurança como Noah Green, de 25 anos, morador de Indiana. Em sua página no Facebook, Green descrevia-se como um apoiador do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, e disse que vinha lutando contra a pandemia nos últimos meses.

O incidente ocorreu a cerca de 90 metros da entrada do edifício no lado do Senado do Capitólio. Esse posto de controle de segurança é normalmente usado por senadores e funcionários durante a semana, mas o Congresso está atualmente em recesso. 

O ataque não foi considerado nesta sexta-feira um ato relacionado com o terrorismo e autoridades afirmaram que não há uma “ameaça em curso”. “O caso não parece ser relacionado com o terrorismo, mas temos de continuar investigando para ver se há algum vínculo deste tipo”, disse à imprensa Robert Contee, chefe da polícia do Distrito de Columbia, onde fica a capital americana. “Precisamos entender a motivação por trás deste ato sem sentido”, acrescentou.

Imagens de TV mostraram um carro azul que bateu na barreira de segurança de uma das ruas que leva ao Congresso dos Estados Unidos. Também mostraram duas pessoas em macas.

Após o ataque, o Capitólio e os edifícios adjacentes foram fechados. O Congresso estava em recesso para a Semana Santa, então havia menos funcionários no local. O presidente Joe Biden havia acabado de sair da Casa Branca para Camp David e, ao saber do ocorrido, afirmou estar ‘devastado’.

O presidente agradeceu os esforços das forças de segurança, e enviou condolências à família do policial morto. Segundo Biden, são momentos difíceis para o Capitólio e aos que trabalham lá. Como expressão de pesar, Biden determinou que as bandeiras americanas na Casa Branca e em todos os edifícios federais fossem hasteadas a meio-mastro.

Segundo um comunicado da Polícia do Capitólio, o agente morto se chamava William Evans e era conhecido pelo apelido Billy. Ele estava na corporação há 18 anos, desde 7 de março de 2003. "Por favor, mantenham o policial Billy e sua família em suas orações e pensamentos", pediu Pittman.

A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, afirmou, em comunicado, que o Congresso está preparado para ajudar autoridades de segurança nas investigações sobre o incidente. Na nota, a deputada chamou o agente de "mártir da nossa democracia" e expressou gratidão pelo trabalho da polícia.

"Hoje, mais uma vez, esses heróis arriscaram suas vidas para proteger o nosso Capitólio e nosso país, com a mesmo altruísmo visto em 6 de janeiro", destacou, em referência à invasão da sede do legislativo americano durante sessão que certificou a vitória de Biden nas eleições de 2020.

Pelosi pediu para que nunca se esqueça do "heroísmo" daqueles que trabalharam para defender a democracia. "Que sirva de conforto para a família do policial Evanso fato de tantas pessoas estarem de luto com eles e por eles neste triste momento", concluiu.

Preocupação

O caso desta sexta-feira ocorre após o violento ataque ao edifício do Capitólio em 6 de janeiro por partidários do ex-presidente Donald Trump que queriam interromper a certificação de Biden. O grupo buscou impedir a oficialização dos resultados, após o ex-presidente republicano alegar sem apresentar evidências que houve fraude nas eleições.

Cinco pessoas morreram nos atos violentos de janeiro, incluindo um policial do Capitólio. Desde então, as autoridades ergueram uma barreira e fecharam um amplo perímetro em volta do Congresso, mas nos últimos dias haviam começado a reduzir a área cercada e abrir espaço ao tráfego.

Após o atropelamento, um grande contingente de agentes da Guarda Nacional e veículos foram mobilizados para o local e um helicóptero pousou na área. / AFP e AP

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