Polícia francesa investiga escritórios e casa de Sarkozy

Ex-presidente e seu partido são suspeitos de terem se beneficiado de financiamento ilegal de campanha em 2007

ADREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h01

A França começou ontem a acertar as contas com seu passado recente. Alvo de diversas suspeitas de financiamento clandestino de campanhas eleitorais, o ex-presidente Nicolas Sarkozy teve uma residência e dois escritórios em Paris vasculhados pela polícia e pela Justiça.

As investigações fazem parte do caso Woerth-Bettencourt, que envolve políticos da União por um Movimento Popular (UMP, direita) e a bilionária Liliane Bettencourt, dona da gigante de cosméticos L'Oréal. A batida policial foi possível porque a imunidade do ex-chefe de Estado acabou no mês passado.

Os agentes estiveram em uma das residências do casal Sarkozy, em Villa Montmorency, no 16o distrito de Paris. Ao mesmo tempo, batidas foram realizadas no escritório de advocacia do qual é sócio, o Arnaud Claude et Associés, e em seu novo gabinete de trabalho - pago pelo Estado -, em Miromesnil, centro da capital. Em todos os endereços, a polícia buscava documentos e dados informáticos que possam esclarecer o fato.

A principal suspeita da Justiça é a de que Sarkozy e a UMP tenham se beneficiado de financiamento ilegal de campanha em 2007, quando ele era ministro do Interior e candidato ao Palácio do Eliseu. Nessa época, o tesoureiro do partido, Eric Woerth, teria recebido doações em série de Liliane Bettencourt, conhecida como a mulher mais rica da França, para ajudar na campanha. Pelo menos uma dessas doações, de € 150 mil em dinheiro, teria sido entregue em mãos a Woerth, segundo a ex-contadora da empresária Claire Thibout informou a Justiça.

Apesar da enorme repercussão pública do caso, Sarkozy não foi perturbado ontem. Ele está em férias com a família no Canadá e não se manifestou sobre o caso. Durante a campanha eleitoral, quando ouvia as acusações, o então presidente reagia em fúria, denunciando um complô do Partido Socialista (PS) e até da imprensa para tirá-lo do poder.

Ontem, Thierry Herzog, advogado da família, foi o único a comentar a ação. Em uma nota oficial, ele protestou contra as batidas policiais alegando que Sarkozy teria fornecido todos os esclarecimentos. "Essas investigações se revelarão atos inúteis, já que os elementos necessários foram enviados ao magistrado há 15 dias."

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