AFP PHOTO / Thomas Samson
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Polícia francesa investiga homicídio de mulher que fugiu do Holocausto

Mireille Knoll, 81 anos, escapou de ação que enviou mais de 13 mil judeus para campos de extermínio; investigadores acreditam que crime teve motivações antissemitas

O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 02h25

PARIS – A polícia francesa investiga o homicídio de Mireille Knoll, uma mulher judia de 81 anos cujo corpo foi encontrado parcialmente carbonizado em sua residência na sexta-feira, 23. Os investigadores acreditam que o crime teve motivações antissemitas. Mireille foi uma das sobreviventes de uma ação do governo de Vitchy que enviou milhares de judeus para campos de extermínio na Alemanha nazista.

Segundo a autópsia, Mireille foi apunhada várias vezes antes de o apartamento ser incendiado. Dois homens foram presos como principais suspeitos pelos crimes de homicídio por motivação religiosa e roubo seguido de destruição de propriedade.

De acordo com o filho de Mireille, um dos suspeitos visitava a idosa frequentemente e era tratado “como um filho”. “Estamos realmente tristes. Não entendo como alguém poderia matar uma mulher que não tinha dinheiro e vivia em um apartamento pequeno”, disse o filho da idosa, que não quis se identificar, à AFP.

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O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, que visitava Jerusalém nessa segunda-feira, 26, afirmou que era “plausível” que Mireille tenha sido assassinada por sua religião e que sua morte era uma mostra da necessidade de luta “fundamental e permanente” contra o antissemitismo.

Vítima fugiu do Holocausto

Mireille Knoll era uma criança quando escapou com sua mãe da Rusga do Velódromo de Inverno de Paris, ação do governo de Victhy, governo provisório da ocupação nazista na França, que enviou mais de 13 mil judeus aos campos de extermínio na Alemanha nazista em 1942.

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Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, Mireille e a mãe deixaram o exílio em Portugal e retornaram para Paris. Ela se casou com um sobrevivente do Holocausto que faleceu nos inícios dos anos 2000.

Comunidade judia denuncia crimes

A comunidade judia da França, composta por mais de meio milhão de pessoas, foram vítimas de vários ataques islamistas nos últimos anos e têm denunciado crimes antissemitas.

No mês passado, um juiz confirmou que o assassinato de Sarah Halimi, uma judia de 65 anos, foi motivado por sentimentos antissemitas.

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O Conselho Representativo de Instituições Judias da França pediu às autoridades que investiguem o assassinato de Mireille com “a maior transparência” para que “o motivo deste crime bárbaro possa ser conhecido o mais cedo possível.” //AFP

 

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