Polícia grega continua em alerta para evitar mais distúrbios

Na noite deste sábado, 13, estudantes protestaram no bairro em que adolescente foi morto no dia 6

EFE

14 de dezembro de 2008 | 12h08

A Polícia grega continua em alerta neste domingo em todo o país para evitar novos distúrbios, após os confrontos registrados na última madrugada com várias dezenas de manifestantes no bairro de Exarhia, onde um adolescente morreu no último dia 6 por causa do disparo de um policial.   Veja também: Premiê grego resiste e diz que não renuncia Com protestos, jovens tentam despertar os líderes europeus   Na manhã de hoje, os bombeiros apagaram um incêndio nas dependências do Ministério de Obras Públicas, no bairro de Patision, que no sábado à noite foi objeto de um ataque com bombas incendiárias.   A delegacia de Exarhia, o bairro onde o jovem Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, morreu há oito dias, foi atacada com coquetéis Molotov por radicais, e as forças da ordem responderam com o lançamento de gás lacrimogêneo.   Os manifestantes contra-atacaram colocando barricadas nas ruas que levam à praça de Exarhia, e colocaram fogo em contêineres.   Como nas noites de violência anteriores, os grupos atacaram filiais bancárias - destruíram três e dois caixas eletrônicos - além de dois carros e diversas lojas da avenida de Patision. No entanto, a violência foi menor do que nos primeiros dias dos distúrbios e se limitou a pontos da capital grega.   As organizações estudantis devem continuar suas manifestações pacíficas nesta semana em todas as cidades do país, em protesto contra a violência policial, que desencadeou na Grécia uma das maiores crises dos últimos 35 anos.   Além disso, têm intenção de manter o fechamento dos centros de ensino médio e das universidades até o início de 2009, em sinal de protesto.   Nos próximos dias, deve sair o relatório balístico que permitirá estabelecer se o projétil que matou Alexandros atingiu o jovem grego depois de desviar em algum objeto.   O policial Epaminondas Korkoneas, acusado de "homicídio proposital", declarou-se inocente perante o juiz e disse que atirou para o alto em defesa própria, após um incidente com um grupo de radicais que jogavam pedras contra sua patrulha.   Durante os violentos distúrbios e saques na capital grega, a Polícia deteve 460 pessoas, das quais 176 foram acusadas de roubo e desordens, enquanto os danos materiais superam os 200 milhões de euros.   As manifestações organizadas no sábado contra o Parlamento em Atenas em memória de Alexandros por adolescentes e companheiros de escola da vítima foram, pela primeira vez, pacíficas, mas compalavras de ordem contra a Polícia.   A situação é muito tensa, como mostra o fato de que 60% dos gregos acreditam que o país passa por um levante social, segundo a imprensa local.   Outros 41% consideram que nenhum líder político reagiu corretamente diante da situação, mas 20% acham que o primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, fez melhor do que qualquer político opositor. Segundo uma pesquisa publicada por outro jornal, 83,3% dos gregos não estão satisfeitos com as ações do Governo conservador para tramitar a crise, e 55,8% consideram que a morte do adolescente se deve à má preparação e prepotência da Polícia.   A oposição socialista tem 4,8 pontos de vantagem sobre o partido governamental Nova Democracia após os distúrbios, segundo uma pesquisa. A ministra de Exteriores grega, Dora Bakoyani, um dos nomes para a sucessão na liderança do partido conservador, reconheceu a fraqueza do Estado para proteger os bens dos cidadãos.

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