Terrorista que atacou em Londres defendeu Islã radical em documentário

Polícia identifica dois dos três autores do ataque que matou 7 pessoas no sábado; falhas na prevenção estão sendo usadas para desgastar a candidatura de May nas eleições gerais de quinta-feira

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 14h12
Atualizado 05 de junho de 2017 | 21h10

LONDRES -Os elogios à reação rápida da polícia britânica ao atentado que matou sete pessoas no sábado deram lugar a críticas após a divulgação do perfil dos três terroristas. Um deles havia defendido o Islã radical em um documentário disponível no Netflix.

Possíveis falhas na prevenção são usadas para desgastar a candidatura da premiê Theresa May na eleição de quinta-feira. Este foi o terceiro ataque com mortes no país em menos de três meses.

Principal rival de May na disputa, o líder trabalhista Jeremy Corbyn pediu a renúncia da líder conservadora, a quem acusa de ter cortado o efetivo policial quando era Ministra do Interior.

Dois dos três terroristas que agiram nos atentados na Ponte de Londres e no Mercado de Borough foram identificados. Khuram Butt, de 27 anos, era militante do grupo al-Muhajiroun, que defende o boicote às eleições. Ele é filho de paquistaneses e tinha cidadania britânica, mas nasceu no Paquistão.

A polícia conhecia as atividades de Butt, que estavam longe de ser secretas. Ele apareceu como entrevistado no documentário The Jihadis Next Door (Os jihadistas na porta ao lado, em tradução livre), exibido no ano passado pelo Canal 4 da TV britânica e disponível no Netflix. 

 

No programa, ele justifica sua defesa do islamismo radical. Em uma das cenas, ele e outros cinco homens veem um muçulmano se ajoelhar com uma bandeira do Estado Islâmico. “Não havia dados de inteligência sugerindo que um ataque estava sendo planejado e a investigação sobre ele seguiu o padrão”, disse em nota a polícia sobre Butt. “O MI5 (serviço secreto britânico para segurança interna) tem 500 investigações ativas sobre 3 mil suspeitos, além de 20 mil ex-suspeitos cujos movimentos são revisados periodicamente.”

O segundo terrorista, Rashid Redouane, de 30 anos, tinha nacionalidade marroquina e líbia, e não estava no radar das autoridades. Os investigadores pediram que vizinhos dos autores do ataque que conhecessem ambos dessem mais informações sobre eles, principalmente os lugares que frequentavam. 

Um terceiro terrorista não teve a identidade revelada. A polícia indicou que ele seria estrangeiro, o que levantou questionamentos sobre as circunstâncias de sua entrada no país. 

O ataque deixou 7 mortos e 48 feridos, sendo que 21 deles estão em estado crítico. Várias prisões foram feitas em duas novas operações em Newham e Barking, bairros da zona leste da capital britânica, mas todos foram soltos.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, e a comissária de Polícia, Cressida Fick, visitaram nesta segunda-feira o local dos ataques e elogiaram o trabalho da polícia, que, segundo eles, evitou mais mortes. Os terroristas foram mortos 8 minutos após o começo da ação. A comissária ainda relativizou a necessidade de policiais comuns andarem armados. 

Eleição. A campanha eleitoral no país foi retomada nesta segunda-feira após um dia de paralisação. Corbyn, líder do Partido Trabalhista, voltou a buscar votos com críticas às políticas antiterrorismo no período em que ela foi Ministra do Interior (2010-2016). Na ocasião, ela conduziu cortes na polícia britânica que levaram a uma queda de 19 mil homens no efetivo da corporação.

Corbyn defendeu que May renuncie ao cargo por isso. “Muitas pessoas responsáveis defendem a renúncia da premiê. Por todo o tempo que ela ficou no ministério, liderou esses cortes e agora ela diz que temos um problema?”, disse ele a TV Sky. “Claro que temos, mas ela nunca deveria ter demitido os policiais.”

Questionada sobre os cortes, May disse que o orçamento da política antiterrorismo não foi alterado e a polícia recebeu toda a verba e treinamento que requisitou. 

A premiê também disse que o Reino Unido precisa fazer “muito mais para derrotar o terrorismo, considerado por ela uma “ideologia maligna”, que perverte o Islã e promove o ódio. “A violência nunca pode ser autorizada a prejudicar o processo democrático”, disse ela, ao descartar a possibilidade de um adiamento da votação. 

No domingo, instituto Survation publicou uma pesquisa de opinião na qual a vantagem do Partido Conservador caiu para apenas 1 ponto porcentual à frente dos trabalhistas (40% a 39%). A média diária de pesquisas publicada pelo jornal Guardian, no entanto, estima em 9 pontos a vantagem de May sobre Corbyn – uma queda de 11 pontos em comparação com o começo da campanha. / AFP, REUTERS, AP e EFE

 

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