Polícia identifica suspeito de complô contra Evo

Suposto terrorista teria trabalhado para órgão oficial cubano e se dizia fã de Che Guevara

AFP E EFE, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

Um dos supostos mercenários mortos na operação que há dois dias debelou o que seria, segundo o governo boliviano, um complô para matar o presidente Evo Morales e seu vice, Álvaro García Linera, foi identificado ontem como Eduardo Rózsa Flores, um boliviano que, de acordo com a imprensa local, admirava o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, trabalhou para a imprensa oficial cubana e conheceu o terrorista venezuelano conhecido como Carlos, o Chacal.Flores foi morto pela polícia na manhã de quinta-feira, na capital do Departamento (Estado) de Santa Cruz, com outros dois supostos mercenários - um irlandês e um romeno, segundo o governo. Outros dois suspeitos, um boliviano e um húngaro, foram detidos e levados para um presídio de La Paz.Segundo os jornais bolivianos, Flores teria deixado a Bolívia com seus pais aos 12 anos, fugindo da ditadura de Hugo Bánzer para o Chile, de onde, em seguida, foi para a Hungria, fugindo da ditadura de Augusto Pinochet.Em Budapeste, ele teria cursado estudos militares, literatura e ciência política antes de trabalhar como jornalista para a agência cubana Prensa Latina e de ter sido colaborador do jornal espanhol La Vanguardia e da rede britânica BBC durante a Guerra dos Bálcãs, na Croácia, em 1991.Flores, autor de sete livros, alistou-se voluntariamente no Exército da Croácia e, de acordo com o deputado croata Branimir Glavas, "foi um bom combatente, embora seu passado nunca tenha sido muito claro".Sua vida foi retratada em 2000 no filme Chico, da diretora húngara Ibolya Fekete. Segunda a família de Flores - que, em 2003, converteu-se à religião muçulmana -, ele não visitava a Bolívia havia dez anos e estava no país para realizar uma produção áudio-visual.INVESTIGAÇÃOA Interpol anunciou ontem que rastreará em seus 187 países-membros os antecedentes dos três supostos "mercenários internacionais" mortos e dos dois detidos na quinta-feira, em Santa Cruz.Segundo o comandante-geral da polícia boliviana, general Víctor Hugo Escobar, "já foram feitos contatos com polícias da Europa e da América do Sul e Central para descobrir antecedentes" dos criminosos.?TERRORISMO?Presidentes de oito países reunidos em Cumaná, na Venezuela, para a cúpula da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba) aprovaram ontem uma resolução condenando a ação de "grupos terroristas" na Bolívia.

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