Smiley N. Pool/The Dallas Morning News
Smiley N. Pool/The Dallas Morning News

Polícia identifica veterano do Exército como autor de ataque em Dallas

Micah Xavier Johnson, negro, de 25 anos, morreu durante o tiroteio era entusiasta de armas e táticas militares

O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2016 | 02h00

DALLAS, EUA - Em meio ao choque da população e de líderes dos EUA, autoridades de Dallas identificaram ontem o autor dos disparos que mataram cinco policiais na noite de quinta-feira durante um protesto contra abusos sofridos por negros durante abordagens de agentes da polícia. Outros cinco policiais e dois civis foram baleados no ataque. O acusado, Micah Xavier Johnson, negro, de 25 anos e veterano da guerra do Afeganistão, morreu durante o tiroteio. 

Segundo a polícia de Dallas, ele abriu fogo contra os oficiais e teria dito que “queria matar policiais brancos”. O presidente Barack Obama condenou a violência, ocorrida horas após a morte de dois negros por policiais brancos em Louisiana e Minnesota. “Ele (Johnson) disse que estava revoltado com as mortes dos últimos dias”, disse o chefe de polícia de Dallas, David Brown. “Ele disse que estava com raiva dos brancos e disse que queria matá-los, especialmente policiais.”

Outras três pessoas foram presas, suspeitas de envolvimento no ataque, que levou pânico ao protesto até então pacífico da comunidade negra da cidade contra as mortes de Philando Castile, em Saint Paul, Minnesota, e Alton Sterling, em Baton Rouge, Lousiana. Ainda de acordo com a polícia de Dallas, no entanto, o suspeito disse que agiu sozinho. 

Suspeito. Johnson vivia em Dallas e não tinha ficha criminal. Investigações iniciais indicam que ele não tinha envolvimento com movimentos de direitos civis nos EUA, como o “Black Lives Matters”, criado na esteira de execuções de negros por policiais brancos em Missouri, Flórida e outros Estados.

O suspeito era tido como uma pessoa solitária que vivia no subúrbio de Dallas. Em seu apartamento, mantinha armas, munições e explosivos, além de um diário sobre táticas de combate. Seu perfil no Facebook mostrava que ele tinha simpatia pelo Black Power - movimento pelo direitos civis dos negros que marcou os Estados Unidos nos anos 60. 

Até a noite de ontem, pouco se sabia sobre sua família e origens. Após servir no Afeganistão, em 2013, ele seguia como reservista do Exército.  

“Eu só sei que isso precisa parar”, disse o chefe de polícia de Dallas. “Essa divisão entre policiais e cidadãos precisa parar. Estamos de coração partido.”

Violência. Os disparos ocorreram no momento em que o protesto em Dallas terminava, fazendo manifestantes gritarem e correrem em pânico pelas ruas. Foi o dia mais mortífero para a polícia do país desde os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington.

O tiroteio transformou o protesto pacífico em uma cena caótica de violência e adicionou volatilidade ao debate sobre disparidades raciais no sistema criminal americano. Os disparos começaram às 21 horas, no horário de Dallas e aterrorizaram os manifestantes, enquanto policiais responderam aos tiros. Há registros em vídeos publicados em redes sociais do tumulto. 

Após o fim dos tiros, começou um cerco ao atirador, que dizia ter colocado bombas no prédio onde estava. “Ele disse aos nossos negociadores que o fim estava próximo e machucaria muitos policiais”, disse o chefe de polícia de Dallas. “Além disso, também falou que havia bombas na garagem.”

Drama. Ainda de acordo com a polícia de Dallas, as negociações fracassaram e houve troca de tiros com o suspeito. Em virtude da ameaça de bomba, um robô com explosivos foi enviado para perto do suspeito e sua detonação o matou.

 

Sem dar mais detalhes, Brown disse ainda na madrugada de ontem que havia outros três suspeitos sob custódia das autoridades. 

Os policiais mortos trabalhavam no departamento de polícia e de trânsito de Dallas. O FBI foi contactado para auxiliar na investigação. O chefe da polícia de Dallas disse também que é cedo para estabelecer vínculos entre os protestos e o atirador. Depois do tiroteio, o clima ficou tenso na cidade.

À procura de supostos cúmplices do ataque, policiais começaram a interrogar negros na rua. Ao abordar um homem desarmado com um colete a prova de balas, um policial foi alvo de xingamentos e vaias dos manifestantes que ainda estavam nas ruas de Dallas.

 

Em outro episódio tenso, um policial apontou uma arma para uma mulher negra na rua. Rapidamente, as pessoas próximas da cena sacaram seu celulares e começaram a gravar o policial, gritando “As vidas dos negros importam”. O policial se acalmou, abaixou a arma e a mulher foi liberada.

Críticas. Em Varsóvia, na Polônia, Obama, que horas antes fizera um pronunciamento no qual criticou o sistema criminal americano e apelou pelo fim da morte de negros por policiais, condenou a violência em Dallas.

“Ocorreu um ataque sádico, desprezível e premeditado contra as forças de segurança de Dallas, que estavam cumprindo sua função de proteger as pessoas durante protestos pacíficos”, disse. “Saberemos mais, sem dúvida, sobre as motivações pervertidas, mas sejamos claros: não há justificativa possível para esse tipo de ataque, ou para qualquer violência contra as forças da lei.”

Obama ainda elogiou o trabalho da polícia, que segundo ele faz, em linhas gerais, seu trabalho com primor. / NYT e WP

 

 

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