Polícia impede colonos judeus de marchar até Ramallah

Em protesto contra palestinos, moradores de assentamentos dizem que não abandonarão 'terra dada por Deus'

BEIT EL, CISJORDÂNIA, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h05

Dezenas de colonos judeus realizaram dois protestos ontem na Cisjordânia contra o pedido de reconhecimento do Estado palestino na ONU. As manifestações ocorreram no fim da tarde, nas imediações dos assentamentos de Beit El, próximo a Ramallah, e Itamar, perto de Nablus.

Os cerca de 40 colonos de Beit El tiveram de ser contidos pela polícia de fronteira quando marcharam na direção de Ramallah. Liderados pelo parlamentar Michael Ben Ari, os manifestantes gritavam: "Esta terra nos pertence", ostentando bandeiras de Israel.

"O Estado para os palestinos é uma ideia muito boa. Mas não aqui. De onde mesmo você disse que veio? Do Brasil? O Brasil é um lugar muito bom para a Palestina", ironizou Ben Ari, ao ser abordado pela reportagem do Estado.

Composto na maioria por idosos e adolescentes, o grupo de manifestantes revoltou-se quando foi impedido de avançar até Ramallah. Nesse momento, quatro garotas atearam fogo a uma bandeira palestina e os policiais marcharam na direção delas.

"Os árabes têm de sair. Se eles pensam que podem vir e nos matar, vão receber isso de volta. Cada centímetro de Israel nos pertence. Ramallah e tudo mais. Nada pertence aos árabes. Não temos medo de ninguém, só de Deus - que nos deu essa terra", afirmou uma das colonas que queimou a bandeira palestina, diante de várias câmeras de TV, mas não quis dizer seu nome.

Pouco depois meninos e adolescentes cercaram o parlamentar que liderou o protesto e todos começaram a rezar em hebraico, com expressão de lamento nos rostos. Cerca de 500 mil colonos israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia. Nos últimos meses, eles têm recebido treinamento e armamento não letal para conter possíveis protestos violentos de palestinos. / G.R.

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