Polícia impede marcha e prende opositores no Paquistão

Manifestação pretendia cruzar o país até a capital para exigir a restauração de juízes afastados

Agência Estado e Associated Press,

12 de março de 2009 | 10h08

A polícia paquistanesa prendeu nesta quinta-feira, 12, líderes de um protesto e impediu centenas de manifestantes de deixarem a maior cidade do Paquistão, Karachi, para uma manifestação na capital, ressaltando a determinação do governo de silenciar a demonstração. As autoridades permitiram que o grupo de centenas de advogados e ativistas de oposição deixassem o centro de Karachi mais cedo, mas impediu seu avanço quando o grupo tentou entrar numa estrada para deixar a cidade.   Os fatos ameaçam desestabilizar o governo democraticamente eleito há um ano, num período de elevação da violência de grupos militantes e de forte crise econômica. O líder da oposição, Nawaz Sharif, e movimentos de advogados exigem que o presidente Asif Ali Zardari cumpra a promessa de restituir os juízes afastados em 2007 pelo ex-presidente Pervez Musharraf e que alguns acreditam poderiam ser hostis a Zardari. Um repórter da Associated Press viu a polícia colocar vários líderes políticos locais em vans. O policial Suleman Syed disse que ele e seus colegas receberam instruções para não permitir que os manifestantes chegassem à rodovia.   O partido atualmente no poder restituiu o cargo à maioria dos juízes afastados por Musharraf, mas alguns, dentre eles o ex-chefe de justiça da Suprema Corte, não reconquistaram suas posições. Acredita-se que Zardari teme que esses juízes possam tomar medidas para limitar seu poder ou reabrir casos de corrupção contra ele que foram abandonados por Musharraf quando o ex-general buscava uma aliança política antes das eleições do ano passado.   Sharif, que já foi primeiro-ministro, também está furioso com a decisão da Suprema Corte, tomada no mês passado, que impediu a ele e seu irmão de assumir os cargos para os quais foram eleitos. Depois da decisão, o governo federal descartou a administração provincial de Punjab liderada pelo irmão de Sharif, atiçando a ira popular contra Zardari.   Os advogados, o partido de Sharif e outros pequenos grupos planejavam encontrar-se nesta segunda-feira no prédio do Parlamento em Islamabad. O plano era seguir a partir de várias cidades de todo o país e permanecer no local até que suas exigências fossem atendidas. O governo proibiu protestos na maior parte do país e prendeu mais de 360 ativistas, mas os advogados dizem que estão determinados a manter a pressão. As prisões lembram medidas semelhantes contra muitos dos mesmos manifestantes tomadas por Musharraf em 2007, restrições que provocaram a queda de sua popularidade, anteciparam um novo governo e contribuíram para sua deposição no ano seguinte.   A embaixadora dos Estados Unidos, Anne Patterson, reuniu-se nesta quinta-feira com Sharif numa tentativa de "resolver as coisas" entre ele e o governo, disse o porta-voz de Sharif, Sadiqul Farooq. "Não é apenas a embaixadora norte-americana, outros países amigos estão em contato", disse ele. A Embaixada dos Estados Unidos informou que não comenta as reuniões da embaixadora, mas ajuda estrangeira na resolução de disputas políticas no Paquistão foram comuns no passado.   Nos últimos dias, líderes de outros partidos políticos tem procurado uma solução para a crise entre Sharif, Zardari e o primeiro-ministro Yousuf Raza Gilani, mas não têm havido sinais de que algo esteja próximo. A crescente agitação política faz aumentar o espectro de uma possível intervenção militar, num país com armas nucleares que tem tendências para golpes militares. Isso também poderia colocar Washington numa espinhosa posição se o governo civil - que chegou ao poder apoiado por comícios e manifestações contra Musharraf - continuar a perseguir dissidentes.   Zardari, o viúvo da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto, cultiva laços com os Estados Unidos e buscou unir os paquistaneses na luta contra extremistas islâmicos. Sharif é considerado uma pessoa próxima de partidos islâmicos e facões conservadoras menos inclinadas a apoiar os esforços de guerra dos Estados Unidos.   Os manifestantes prometeram uma marcha pacífica, mas Sharif usou palavras como "revolução" em seus recentes discursos, fazendo com que o governo tivesse feito advertências a ele conta a realização de revoltas. A ministra da Informação, Sherry Rehman, disse que as manifestações foram proibidas para "evitar o derramamento de sangue nas ruas". Ao ser lembrada que seu partido realizou manifestações semelhantes no passado, ela insistiu que "nós nunca levantamos a bandeira da rebelião".

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