Polícia indiana criticada em caso de assassinato de crianças

Os dois acusados pela violação e assassinato de pelo menos 17 crianças da cidade indiana de Noida, próxima a Nova Délhi, continuam sob custódia das autoridades, enquanto cresce a polêmica sobre a possível negligência policial na investigação do caso.Inicialmente, a acusação recaiu sobre um empregado doméstico de 30 anos, Satinder, que confessou os assassinatos. Mas no fim da noite deste sábadop, 29, a Polícia informou que o cérebro dos crimes era supostamente o patrão de Satinder, o empresário Mohinder Singh Pandher.A Polícia descartou também a relação do caso com o tráfico de órgãos, uma hipótese levantada no início da investigação. Agora, a principal hipótese é de crime sexual. Supostamente, os dois acusados estupraram e assassinaram os menores."Mohinder estava separado, e costumava recorrer a garotas de programa. Quando não conseguia nenhuma, pedia a Satinder que atraísse alguma criança para a sua casa, onde o dono abusava delas", declarou à agência "PTI" o superintendente de Polícia R.K. Rathore.Satinder, considerado pela Polícia "doente mental", violava as crianças depois de seu chefe. Ele atraía as vítimas, segundo confessou, "com bombons". Mais tarde, estrangulava os menores, para depois esquartejar seus corpos.Entre gritos de uma multidão que ameaçava com linchamento, os dois suspeitos passaram o dia de ontem à disposição da Justiça. Eles foram acusados formalmente de assassinato, ocultação de provas e conspiração, o que na Índia pode levar à pena de morte.Dezenas de pais e mães continuavam neste domingo, pelo terceiro dia, emfrente à casa onde apareceram os restos. Eles esperam que os trabalhos de exumação da Polícia ajudem a descobrir o destino de seus filhos desaparecidos. Foram 38 casos nos últimos dois anos.VítimasApós descobrir ontem uma nova bolsa com pedaços de corpos, a Polícia não descarta um aumento no número de vítimas. O jornal "The Times of India" calculou um total de 22, que pode chegar a 30.Algumas famílias não se atreviam a denunciar os desaparecimentos porque a maioria dos habitantes de Nithari é de imigrantes e tinha medo da Polícia. Mas a população agora critica a atuação das forças de segurança."Não ganho o suficiente para subornar os policiais, que só querem nosso dinheiro", disse à "PTI" Pappu Lal, pai de uma criança de oito anos desaparecida em abril. Ele tinha denunciado os acusados em várias ocasiões, mas a Polícia se negou a agir até o operário encontrar restos de roupas infantis no terreno de Mohinder.Os aldeões tinham denunciado anteriormente que as crianças desapareciam numa área com um raio de 100 metros. Mas a condição humilde das vítimas é para muitos a razão da lentidão policial.As forças de segurança se apressaram a rebater as críticas. Porém, foram suspensos seis policiais da região. O Partido do Congresso defendeu indenizações de 17 mil euros e empregos públicos para as famílias afetadas, informou a rede de televisão "NDTV".O caso do "Carnicero de Noida" está recebendo uma ampla coberturada imprensa indiana, que hoje publica histórias de várias criançasque devem estar vivas por não terem aceito os bombons oferecidos porum desconhecido.ConflitoAo longo do domingo, uma multidão enfurecida chegou a romper o cordão de isolamento colocado em volta da casa em que as crianças foram assassinadas e violentadas.A invasão provocou uma batalha campal entre as forças de segurança e os manifestantes.Os aldeões da região de Nithari, que se reuniram pelo terceiro dia consecutivo em frente à casa para acompanhar as investigações da Polícia, conseguiram entrar na construção quebrando a porta. Tomados pela ira, muitos jogaram suportes de vasos de planta contra as janelas, informou a rede de TV "IBN-CNN".Após a intervenção dos agentes, alguns aldeões tentaram subir no muro que dava acesso à casa, enquanto outros, gritando palavras de ordem, enfrentaram violentamente as forças de segurança.Uma fonte da Polícia declarou à agência indiana "PTI" que a situação já está sob controle e que o cordão de isolamento foi restabelecido.

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