Polícia indiana investiga tiroteio em aeroporto de Nova Délhi

Três tiros foram ouvidos; porta-voz policial assegura que não se trata de terrorismo e 'ninguém foi morto'

Agências internacionais,

04 de dezembro de 2008 | 18h40

Um oficial da polícia indiana informou que forças de segurança foram chamadas nesta quinta-feira, 4, para o aeroporto internacional de Nova Délhi após um tiroteio, mas ninguém ficou ferido. O oficial, falando sob anonimato, disse que foram ouvidos três tiros e que a situação ainda está sendo investigada. O porta-voz da polícia da Índia, Rajan Bhagat, disse apenas que "não foi um incidente terrorista. Ninguém foi morto."   Veja também: Paquistão diz que não permitirá que terroristas usem o país Suspeito de ataques treinou no Paquistão, diz polícia indiana Brasil aprova venda de mísseis para o Paquistão  Índia jamais cauterizou as feridas de 1947 Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Imagens de Mumbai     Pouco antes da polícia indiana relatar um "pequeno incidente", a rede britânica BBC informava, citando fontes aeroportuárias, que seis homens armados foram mortos pelas forças de segurança do aeroporto. Uma testemunha no local diz que as operações no aeroporto pareciam normais, segundo a agência Reuters.   As autoridades indianas elevaram os níveis de segurança dos aeroportos do país nesta quinta depois de receberem informações dos serviços de inteligência de que terroristas poderiam estar planejando um ataque aéreo. Na semana passada, atentados coordenados deixaram mais de 170 mortos em Mumbai, centro financeiro da Índia.   O porta-voz da aviação civil indiana Moushmi Chakraborty afirmou à CNN que a inteligência alertou sobre alguma atividade terrorista e reforçou a segurança em todos os aeroportos, incluindo na capital Nova Délhi, em Mumbai, Chennai e Bangalore.   A agência de notícias Press Trust of India afirmou que as informações sugerem que os terroristas poderiam invadir o país para promover ataques no aniversário da demolição da mesquita de Babri, destruída em 6 de dezembro de 1992 por extremistas hinduístas. O incidente deu início a conflitos sangrentos entre muçulmanos e hinduístas em toda a Índia, que deixaram mais de 2 mil mortos.   Na quarta-feira, o ministro de Defesa da Índia se encontrou com chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para discutir o que poderia ser feito sobre a ameaça aérea. Eles também debateram os planos para a segurança da costa do país e como reforçar a segurança na linha militar que divide a disputada região da Caxemira, para "prevenir a infiltração de terroristas."   Nesta quinta, a polícia indiana afirmou que encontrou uma granada de mão não-detonada do lado de fora de um hospital que foi atacado na semana passada em Mumbai. O artefato foi localizado por um paciente em uma caixa de lixo atrás do prédio e teria sido deixado pelos homens que atacaram a cidade. Na quarta, duas bombas foram localizadas e desarmadas na estação de trem alvo dos ataques coordenados.   Ataques em Mumbai   A polícia continua a investigar os atentados em Mumbai, que até agora indicam dois membros do grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba como os mentores dos ataques, segundo funcionários do governo próximos às investigações. Acredita-se que Zaki-ur-Rehman Lakhvi e Yusuf Muzammil sejam paquistaneses. Lakhvi foi identificado como o chefe operacional do grupo e Muzammil como o chefe operacional na Caxemira e outras regiões da Índia.   O único terrorista sobrevivente, Ajmal Amir Kasab, de 21 anos, disse à polícia indiana que foi recrutado por Lakhvi para a operação e treinado no Paquistão. Policiais indianos afirmaram que tentam extrair o máximo de informações de Kasab. "Um terrorista desse tipo nunca coopera. Nós temos de extrair as informações", disse Devem Bharti, chefe da seção criminal de Mumbai.   A polícia indiana é conhecida por usar métodos de interrogação que seriam considerados como tortura no Ocidente. Uma das técnicas é drogar os suspeitos com o "soro da verdade". Bharti não falou sobre as técnicas de interrogatório, mas disse que o "soro da verdade" provavelmente será usado na próxima semana.   O Lashkar-e-Taiba é um dos grupos extremistas que atuam na Caxemira indiana, região de maioria muçulmana, reivindicada pelo Paquistão. A organização terrorista é suspeita de ter o apoio do ISI, o poderoso serviço secreto do Paquistão. Em dezembro de 2001, o movimento foi culpado por um ataque suicida contra o Parlamento indiano - o que desencadeou novo surto de tensão entre os dois países nucleares.   O Paquistão lamentou publicamente os ataques em Mumbai, mas expressou dúvidas de que os responsáveis venham do país. Nos últimos dias, autoridades indianas têm afirmado repetidas vezes que há provas de que os militantes por trás dos ataques tinham ligações com o Paquistão.     (Matéria atualizada às 19h50)  

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