Polícia interroga Blair novamente sobre venda de cargos

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, foi interrogado pela polícia nesta quinta-feira pela segunda vez sobre a suposta venda de cargos em troca de doações ao Partido Trabalhista. O interrogatório, que durou menos de uma hora no número 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro, foi anunciado porque a polícia havia pedido um embargo sobre esta informação, que terminou nesta quinta-feira.Segundo um comunicado, Blair foi entrevistado com a presença de uma testemunha e colaborou com a polícia.O porta-voz assinalou que se desconhece se o líder trabalhista terá que prestar declarações de novo perante a Scotland Yard, ao acrescentar que isso é "assunto da polícia".Na sexta-feira passada, Blair foi interrogado na qualidade de testemunha, e não como suspeito, pelos agentes da Scotland Yard que averiguam o caso, indicou o porta-voz, que se recusou a comentar o conteúdo da conversa.Blair, que anunciou que este ano abandonará a chefia do governo, já havia sido interrogado em 14 de dezembro, mas não foi interpelado na qualidade de suspeito "nem esteve acompanhado por um advogado", explicou então seu porta-voz oficial.Dessa maneira, o líder trabalhista, que chegou ao poder em 1997, com a promessa de uma gestão transparente e ética, se transformou no primeiro chefe do governo a ser interrogado duas vezes pela polícia vez na história do Reino Unido.O segundo interrogatório do primeiro-ministro ocorreu uma semana depois da detenção de sua colaboradora próxima Ruth Turner por "supostos delitos" atribuídos ao Trabalhismo e "sob suspeita de obstruir o curso da Justiça", segundo a polícia.A suspeita, de 36 anos, diretora de relações do governo e principal vínculo entre Downing Street (escritório do primeiro-ministro) e o Partido Trabalhista, foi libertada horas depois sem acusações.A Scotland Yard acrescentou que a detenção atrasava o envio de seu "relatório final" à Promotoria britânica (Crown Prosecution Service, CPS) sobre suas indagações, que a classe política britânica esperava para este mês.O segundo interrogatório de Blair aconteceu quatro dias antes de seu grande amigo Lord Levy, arrecadador de fundos do Partido Trabalhista, ser detido pela segunda vez por envolvimento com o caso.Além de Levy e Turner, outras duas pessoas foram detidas pelo escândalo: Christopher Evans, milionário do setor de biotecnologia que doou dinheiro ao partido governista, e o ex-assessor do Executivo Des Smith.Polêmica sobre venda de cargosA polêmica sobre a suposta venda de cargos explodiu em março, após uma denúncia do Partido Nacionalista Escocês (SNP, sigla em inglês) e depois de membros do Partido Trabalhista revelarem que a legenda recebeu quase ? 20 milhões em empréstimos não-declarados de 12 empresários. Alguns destes homens de negócios foram mais tarde designados para ocupar uma cadeira na Câmara dos Lordes. Cerca de 90 pessoas foram interrogadas pela polícia em relação ao caso - que afeta também os partidos Conservador (primeiro da oposição) e Liberal-democrata -, entre as quais destaca-se o premier e vários ministros de seu gabinete.O escândalo poderia obrigar o primeiro-ministro, em baixa nas pesquisas de opinião por casa da Guerra do Iraque, a acelerar a transferência de poderes ao influente ministro da Economia, Gordon Brown, considerado seu sucessor natural.

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