Polícia interroga político e fecha o cerco sobre Tony Blair

O interrogatório do ex-líder da oposição conservadora Michael Howard na investigação do escândalo de oferta de cargos honoríficos em troca de contribuições não declaradas aos partidos políticos pode significar que o cerco ao primeiro-ministro, Tony Blair, está se fechando.A revelação de que funcionários da Scotland Yard interrogaram Howard está sendo interpretado como prova de que a investigação do escândalo, que afeta tanto o Partido Trabalhista quanto a principal força de oposição, chegou aos níveis mais altos.Alguns comentaristas políticos dão já como certo que a polícia não vai recuar diante do escritório do primeiro-ministro. Setores do próprio Partido Trabalhista acusam Blair de ter atuado pelas costas de seus correligionários.Howard é o primeiro líder de um partido com representação parlamentar interrogado pela polícia. Outras 50 pessoas já foram ouvidas. Mas acredita-se que as investigações só serão concluídas no próximo ano.O escritório do primeiro-ministro afirmou nesta segunda-feira que Blair não foi citado até agora pela Polícia. No entanto, o jornal The Times acredita saber que o chefe de Gabinete, Jonathan Powell, se reuniu há algum tempo com agentes da Scotland Yard dentro da mesma investigação.O conservador Howard procurou relativizar seu próprio interrogatório ao explicar que tinha sido entrevistado como "testemunha potencial", tendo comparecido voluntariamente, segundo explicou."A polícia me disse que não estava sob suspeita de nenhum crime", explicou o deputado, garantindo que não tinha sido detido nem acusado.A investigação da Scotland Yard, dirigida pelo comissário-chefe adjunto, John Yates, começou em março. O seu objetivo é identificar as supostas fontes irregulares, e possivelmente ilegais, de financiamento dos partidos.A polícia tenta determinar a relação entre certos créditos concedidos a conservadores e trabalhistas por empresários multimilionários para suas respectivas campanhas eleitorais. Parte dos donativos não teria sido declarada, como exige a lei.Os trabalhistas pediram o equivalente a 21 milhões de euros em empréstimos. Os créditos concedidos aos conservadores chegaram a cerca de 24 milhões de euros. Os investigadores suspeitam que os dois partidos conseguiram se esquivar da legislação britânica, que obriga a declarar as doações recebidas.Até agora três pessoas foram detidas e postas em liberdade pagando uma fiança: o empresário do setor de biotecnologia Christopher Evans, o principal arrecadador de fundos do Partido Trabalhista, lorde Levy, amigo íntimo de Blair; e Des Smith, funcionário ligado ao novo programa de escolas semiprivadas lançado pelo governo trabalhista apesar dos protestos da esquerda.A investigação começou quando se soube que homens de negócios que tinham concedido créditos ao Partido Trabalhista foram indicados posteriormente para a Câmara dos lordes.

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