Polícia invade casa do dono da Globovisión

Chávez nega perseguição política e diz que ele teria carros irregulares

EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

Policiais venezuelanos fizeram uma busca numa das propriedades do dono da TV opositora Globovisión, Guillermo Zuloaga, na noite de quinta-feira. A justificativa era que Zuloaga guardava no local "uma grande quantidade" de carros novos que não teriam os documentos em dia. A oposição, porém, denunciou perseguição política, já que a Globovisión é a única emissora abertamente crítica do governo que ainda transmite pela TV aberta na Venezuela - embora apenas para as três principais cidades do país. "A casa desse ricaço em Caracas estava cheia de veículos de luxo dos quais não foram apresentados documentos", disse o presidente Hugo Chávez. "Se tenho 40 carros, preciso explicá-los. Mas o que diz a burguesia? Oh, que surpresa! O dono desses carros é também o dono de um canal de TV. Chávez o está perseguindo", acrescentou.Zuloaga, que é sócio de uma concessionária da Toyota, qualificou a ação de "excessiva" e assegurou que todos os documentos dos veículos estão em ordem. A notícia da busca foi divulgada no mesmo dia em que a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o relator da ONU para a Liberdade de Opinião e Expressão, Frank La Rue, emitiram um comunicado conjunto no qual expressam sua preocupação pelas recentes ameaças do governo venezuelano contra a Globovisión e outros meios de comunicação privados da Venezuela. "As mais altas autoridades (do Executivo venezuelano) causam um ambiente de intimidação no qual o direito à liberdade de expressão é seriamente limitado", diz o comunicadoDuas semanas atrás, Chávez acusou emissoras opositoras de conspiração e disse que lhes preparava uma "surpresinha". Ele não citou o nome de nenhuma TV ou rádio, mas pouco depois o chanceler Nicolás Maduro acusou a Globovisión de fazer "terrorismo midiático" ao noticiar o terremoto que abalou Caracas no dia 4 sem consultar as autoridades venezuelanas. Após o tremor, a Globovisión disse que sua intensidade foi de 5,4 graus na escala Richter, citando o Serviço Geológico dos EUA. Além disso, o diretor da TV, Alberto Ravell, criticou o que qualificou de uma reação lenta de funcionários do governo. Segundo autoridades venezuelanas, a Globovisión pode receber uma multa ou ser obrigada a interromper suas transmissões temporariamente. Em maio de 2007, o governo venezuelano recusou-se a renovar a concessão da opositora RCTV, que estava havia 53 anos no ar e era a emissora de TV mais popular da Venezuela. Chávez acusou o diretor da TV, Marcel Granier, de ter participado da tentativa de golpe de 2002. Na época, a decisão desatou uma onda de protestos em todo o país.

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