AFP PHOTO / OZAN KOSE
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Polícia invade emissora de televisão na Turquia e interrompe transmissão

Canal IMC, que tem uma linha editorial crítica ao governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, foi acusado de ‘espalhar propagandas terroristas’; autoridades turcas prenderam mais de 12 mil pessoas por ligação com opositor Fethullah Gülen

O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 14h11

ISTAMBUL, TURQUIA - A polícia turca invadiu nesta terça-feira, 4, a emissora de televisão IMC - que tem uma linha editorial crítica ao governo do presidente Recep Tayyip Erdogan - e cortou a transmissão do canal, segundo uma testemunha, dias após a estação ter o sinal cortado pela primeira vez por acusações de "espalhar propagandas terroristas". A determinação de fechamento foi anunciada em um decreto publicado na quinta-feira.

Dezenas de jornalistas e funcionários ficaram dentro dos estúdios de TV e aplaudiram em protesto à pausa da transmissão, que ocorre um dia após a Turquia estender um estado de emergência por mais três meses.

A IMC, sediada em Istambul, dedica grande parte de sua cobertura à insurgência militante no sudeste, de maioria curda, e está entre as 20 estações de rádio e televisão operadas por curdos.

Com base no estado de emergência decretado em 20 de julho em razão de uma tentativa fracassada de golpe militar, 12 emissoras já foram fechadas. Além disso, mais de 100 jornalistas foram detidos, 775 tiveram seus registros profissionais cassados e 2,3 mil perderam o emprego, conforme denunciaram organizações de imprensa da Turquia.

Prisões. Autoridades turcas decidiram suspender 12.801 policiais por suposta ligação com o clérigo opositor Fethullah Gülen, a quem Ancara acusa de estar por trás do fracassado golpe militar do mês de julho.

O anúncio foi feito nesta terça-feira pela direção-geral de Segurança, em um comunicado o qual explica que a decisão foi tomada em concordância com a lei do estado de emergência e que 2.523 dentre os agentes afetados têm categorias de oficiais e diretores.

A direção de Segurança vai investigar cada policial suspenso, que será, por sua vez, demitido caso realmente tenha alguma ligação com o movimento de Gülen.

Sob o estado de emergência, o governo tem o poder de emitir decretos com força de lei, suspender as liberdades e direitos fundamentais, impor obrigações financeiras e trabalhistas aos cidadãos e conferir poderes especiais aos funcionários, sem que estas decisões possam ser recorridas na Justiça. / REUTERS e EFE

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