Polícia investiga como atirador conseguiu comprar as armas

Cho Seung-Hui, declarado "doente mental" por um tribunal em 2005, pode ter burlado os controles para a compra de armas de fogo. Com duas armas, ele matou 32 pessoas na universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, na segunda-feira, 16.Os investigadores locais, estaduais e federais analisam todas as pistas para determinar os motivos do crime, mas enfrentam várias questões complexas.Uma das dúvidas é se Cho estava ou não nas listas de pessoas que não podiam comprar armas e se as autoridades federais foram alertadas para seus problemas mentais.Para executar o massacre, o estudante comprou uma arma, sem dificuldades, numa loja da Virgínia, e outra através de internet.Os dados divulgados até agora pelas autoridades não esclarecem o motivo do massacre. Mas deixam claro que Cho, um sul-coreano de 23 anos, burlou os controles estabelecidos pelos EUA para evitar que as armas de fogo caiam em mãos de criminosos.o FBI (polícia federal americana) explicou na quinta-feira, 19, o funcionamento do Sistema Nacional Instantâneo para a Revisão de Antecedentes Criminais (NICS, em inglês). O programa foi criado por uma lei federal de 1993.O sistema atua como uma espécie de "lista negra", consultada pelos vendedores de armas para verificar os antecedentes de quem deseja comprar armas de fogo e explosivos.O NICS incorpora um banco de dados, alimentado por diversas agências federais. O sistema identifica pessoas condenadas por toxicomania, que tenham renunciado à cidadania americana, tenham recebido baixa do serviço militar por motivos desonrosos, ou internadas em instituições psiquiátricas. São seis categorias, duas delas relacionadas com problemas mentais.O programa também vasculha os arquivos nacionais em busca de fugitivos da justiça, pessoas deportadas ou condenadas.Problemas mentaisAtualmente, só 22 estados do país, entre eles a Virginia, entregam dados ao NICS nas duas categorias para pessoas com problemas mentais.Segundo o FBI, em abril deste ano a Virginia entregou mais de 80 mil relatórios individuais sobre saúde mental ao NICS. Cho não tinha antecedentes penais, apesar de ter assediado duas companheiras de estudos, que não apresentaram acusações. Mas apresentava problemas mentais graves, e foi enviado a um hospital psiquiátrico para uma avaliação médica em dezembro de 2005.Segundo rede ABC, um tribunal da Virgínia ordenou que a Polícia universitária detivesse Cho, declarado então "doente mental" e "perigo iminente" para a segurança pública.As leis da Virgínia permitem que um juiz ordene uma detenção se comprovar que uma pessoa tem problemas mentais e requer hospitalização.Cho foi levado ao Centro Médico Saint Albans, especializado em problemas de conduta, depois do incidente com as duas alunas.Eric Earnhart, porta-voz de St. Alban´s, onde Cho foi tratado em 2005, explicou à Efe que não podia fazer comentários sobre o paciente."Não queremos interferir com as investigações, mas estamos cooperando. Não podemos fazer comentários", disse. Ele também não revelou quanto tempo Cho permaneceu nas instalações médicas.Os pais e a irmã de Cho não querem dar declarações públicas.

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