Drew Angerer / Getty Images / AFP
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Investigação sobre pacotes suspeitos nos EUA se concentra na Flórida, diz jornal

Mais dois pacotes suspeitos foram encontrados – enviados ao ex-vice-presidente Joe Biden e ao ator Robert De Niro – chegando a dez desde segunda-feira

O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 07h40
Atualizado 25 de outubro de 2018 | 17h56

WASHINGTON -  Autoridades federais americanas que investigam uma onda de envio de bombas em tubo para proeminentes críticos do presidente Donald Trump voltaram suas atenções nesta quinta-feira, 25, para o sul do Estado da Flórida, de onde acreditam que elas possam ter sido enviadas, segundo o jornal New York Times. Mais dois pacotes suspeitos foram encontrados – enviados ao ex-vice-presidente Joe Biden e ao ator Robert De Niro – chegando a dez desde segunda-feira.

Apesar de a investigação apontar inicialmente que os pacotes tinham sido entregues pessoalmente ou por um entregador, os investigadores concluíram que provavelmente todos os 10 pacotes foram enviados pelo serviço de correio. 

A Flórida chamou a atenção dos investigadores agora porque uma análise das informações coletadas pelo Serviço Postal dos EUA indica que a maioria dos pacotes foi postada no Estado, afirmou uma fonte da investigação ao jornal.  A investigação está fazendo uma busca nas imagens das câmeras de segurança do Serviço Postal, que ficam registradas. 

A polícia americana investiga dois pacotes suspeitos encontrados nesta quinta-feira, 25. O primeiro foi localizado no bairro de Tribeca, no centro de Manhattan, em Nova York, onde funciona um restaurante e uma companhia de produção de cinema e televisão, ambos de propriedade do ator  De Niro, um forte crítico do presidente Donald Trump. O segundo foi encontrado em um posto dos correios no Estado de Delaware e estava endereçado a Biden.

Um esquadrão antibombas foi enviado à região em Nova York. Um policial disse que o envelope e as etiquetas impressas na embalagem são similares às dos pacotes enviados a membros do Partido Democrata, como o ex-presidente Barack Obama e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, alvos usuais das críticas do mandatário republicano. Além disso, investigadores disseram que o raio x mostrou que a embalagem contém um dispositivo semelhante a uma bomba caseira. "Parece ser do mesmo tipo", afirmou o agente.

A equipe de segurança da companhia de De Niro, a TriBeCa Productions, encontrou o pacote por volta das 5h (6h em Brasília) e acionaram a polícia de Nova York. O artefato foi removido do local 1h30 depois e levado ao departamento policial de Rodman, no Bronx.

As autoridades americanas alertaram que era possível que outros pacotes ainda não tivessem chegado aos destinatários e seria preciso que as pessoas se mantivessem vigilantes nos próximos dias.

Na quarta, Trump criticou o envio dos artefatos e disse que "temos de nos unir". À noite, no entanto, ele culpou os democratas e a mídia pelos pacotes-bomba e, nesta quinta, voltou a acusar a imprensa de ser responsável pela "raiva" da sociedade. "Muita da raiva que vemos hoje em nossa sociedade é causada pelo relato intencionalmente falso e impreciso da mídia tradicional, ao qual me refiro como fake news", escreveu ele em sua conta no Twitter.

Um dos envelopes foi entregue na véspera na sede da CNN, no Time Warner Center, endereçado ao ex-diretor da CIA John Brennan, que trabalha na NBC. O caso fez prédio ser esvaziado. A emissora fazia uma transmissão ao vivo quando o alarme de emergência soou. Nesta quinta, Brennan respondeu aos tuítes de Trump e pediu a ele que pare de culpar os outros pela raiva da sociedade. "Se olhe no espelho. Sua retórica inflamatória, insultos, mentiras e encorajamento da violência física é vergonhosa", disse. "Tente agir como um presidente."

Os pacotes para Hillary e Obama foram interceptados pelo Serviço Secreto americano. O primeiro envelope suspeito foi encontrado na segunda-feira na caixa de correio da residência do bilionário George Soros.

Todos os envelopes foram encaminhados para análise no laboratório do FBI, em Virgínia. Ainda não foram divulgadas informações sobre a periculosidade deles ou algo sobre suspeitos. Uma fonte disse que os artefatos foram feitos com um pedaço de cano e contavam com cacos de vidro e uma bateria. / REUTERS, AP e NYT

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