REUTERS/Stig Hedstrom
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Para polícia, ataque à escola da Suécia foi crime de ódio

Segundo investigador, evidências apontam que agressor escolheu as vítimas de acordo com sua origem étnica; ele atacou um jovem da Somália e um garoto que havia acabado de chegar da Síria

O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2015 | 10h18

COPENHAGUE - A Polícia da Suécia investiga nesta sexta-feira, 23, o ataque de um homem mascarado com arma branca em uma escola em Trollhättan, sudoeste do país, no qual duas pessoas morreram, como um crime de motivação racista. O agressor foi atingido por policiais e morreu no hospital.

"Constatamos que se trata de um crime de ódio com traços racistas. O que descobrimos a partir das declarações das testemunhas é que ele escolheu as vítimas por sua origem étnica", declarou Niklas Hallgren, chefe da investigação policial, à televisão pública SVT.

A imprensa sueca disse que uma das vítimas, um aluno de 17 anos, era da Somália e estava na Suécia há três anos. O outro garoto, de 15 anos, que também foi atingido havia chegado recentemente da Síria.

Para sustentar a teoria, a polícia se apoia também em vários objetos encontrados em seu apartamento, que não foram especificados, e em sua vestimenta. Ele usava um capacete similar ao dos soldados nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Os policiais não encontraram ligações com ambientes de extrema-direita ou nazistas, embora veículos suecos tenham divulgado que ele simpatizava com grupos dessa ideologia e de pensamento anti-imigração.

O investigador Thord Haraldsson disse que policiais “encontraram evidências de que o incidente foi planejado” e que o agressor agiu sozinho. Haraldsson afirmou ainda que foi encontrado no apartamento do responsável pelo ataque “uma espécie de bilhete de suicídio”.

O jovem de 21 anos e residente em Trollhättan, que segundo revelaram vários jornais se chamava Anton Lundin-Petterson, havia publicado em sua conta no YouTube vídeos de um blogueiro neofascista sueco e filmes que glorificam Adolf Hitler e a Alemanha nazista.

Em seu perfil no Facebook, ele também apoiou a campanha do ultradireitista Democratas da Suécia, terceira força parlamentar, por um referendo contra a imigração.

O ministro do Interior, Anders Ygeman, explicou que a chegada no país de um número recorde de refugiados está aumentando o racismo entre os segmentos menores da sociedade.

O ataque ao colégio de Trollhättan aconteceu no mesmo dia em que o governo anunciou que mais de 190 mil imigrantes podem chegar à Suécia em 2015. “Não se pode culpar a política de asilo porque temos um maluco assassinando crianças”, disse Ygeman. /EFE, REUTERS e ASSOCIATED PRESS

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