Polícia isola casa de Arias e cresce tensão em Honduras

Um bairro residencial de classe média alta de San José serve de palco para as negociações sobre a crise em Honduras. O presidente costa-riquenho, Oscar Arias, decidiu usar sua própria casa, em vez do palácio presidencial, para as negociações entre o presidente deposto, Manuel Zelaya, e o presidente hondurenho de facto, Roberto Micheletti.Apenas moradores podiam entrar na região onde se localiza a casa, que estava isolada. Mesmo assim, jovens conseguiram organizar um pequeno protesto contra Arias. Eles diziam que o presidente - Nobel da Paz por seu papel na resolução de conflitos na América Central - tinha "as mãos sujas de sangue no golpe em Honduras", apesar de ele, desde o início, ter condenado a deposição de Zelaya.Diferentemente do Brasil ou da Argentina, onde o presidente vive em uma residência oficial, na Costa Rica, Arias optou por morar em sua casa, com vizinhos comuns, em uma rua bem arborizada de San José. A residência é grande, mas não é imponente.Os quarteirões ao redor foram fechados pela polícia - não há Exército no país. Carros pretos, com seguranças, se revezavam na porta da casa. Primeiro, veio Zelaya. Apenas depois que ele foi embora, uma caravana trouxe Micheletti. Jornalistas foram levados a um centro de imprensa, construído no meio da rua, a poucos metros da porta de entrada.APREENSÃOOs costa-riquenhos, assim como os turistas que desembarcavam no aeroporto de San José, não pareciam se interessar muito pela crise. Tegucigalpa, porém, viveu ontem mais um dia de protestos sob a tensão produzida pelo encontro entre Zelaya e Micheletti.Pastores das principais igrejas evangélicas de Honduras realizaram em todo país uma jornada de nove horas de oração para acompanhar a negociação mediada por Arias. "Pedimos a Deus que ilumine o caminho da reconciliação", disse Evelio Reyes, líder da influente Igreja Vida Abundante. Reyes apoia Micheletti e diz que não houve golpe, mas "uma sucessão constitucional".Sindicatos e movimentos sociais, por outro lado, anunciaram novos protestos para hoje nas principais ruas de Tegucigalpa. "Temos marcada uma nova manifestação maciça e não vamos parar até conseguirmos a volta da ordem constitucional no país", disse o líder camponês Rafael Alegría.As escolas hondurenhas continuam fechadas por causa da tensão. Na quarta-feira, porém, o aeroporto de Tegucigalpa voltou a funcionar.COM AFP

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