Polícia isola Pentágono por suspeita de bomba

Militar da reserva é preso ao furtar carros nos arredores do Departamento de Defesa; ele levava na mochila material usado na fabricação de explosivos

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

O FBI isolou ontem o prédio do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, ao suspeitar da presença de explosivos em um veículo Nissan vermelho, modelo 2011, estacionado perto do edifício. O incidente ocorreu horas depois da prisão de um militar americano da reserva suspeito de carregar material explosivo e menções à Al-Qaeda e ao Taleban em sua mochila.

Yonathan Melaku, etíope naturalizado americano, havia tentado fugir da polícia nas proximidades do Cemitério Nacional de Arlington, ao lado do Pentágono. Logo em seguida, em um episódio diferente, um esquadrão antibombas foi enviado para investigar o Nissan vermelho e constatou não haver nenhum explosivo ou arma em seu interior.

Ambos os casos demonstraram o grande medo das autoridades policiais e militares americanas com a possibilidade de novos atentados no país, sobretudo contra prédios do governo, depois da execução do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em maio.

Em 11 de setembro de 2001, um dos aviões sequestrados pela organização terrorista atingiu o Pentágono. O bloqueio das ruas próximas atrapalhou o trânsito.

Melaku foi preso e será investigado. Os primeiros dados levantados pelo FBI indicam que ele apenas estava tentando roubar objetos de valor de dentro de carros estacionados nas redondezas de Arlington. No mês passado, ele havia sido detido em Leesburgh, no Estado da Virgínia, acusado de furto de carros.

Naturalizado americano, Melaku tem 22 anos e serviu o Corpo de Fuzileiros Navais até 2007, quando passou para a reserva. No período em que esteve na ativa, recebeu as medalhas do Serviço Nacional de Defesa e do Corpo Selecionado de Fuzileiros Navais. Logo depois da prisão, sua casa em Fairfax (Virgínia) foi isolada pelo FBI.

Segundo a Polícia de Parques, responsável pela patrulha de monumentos e prédios governamentais de Washington, Melaku foi abordado de madrugada, quando caminhava nas redondezas do cemitério e do Pentágono carregando uma mochila. Ele teria corrido em direção ao cemitério de Arlington para escapar da prisão.

No interior da mochila, foi encontrado um material parecido com nitrato de amônia, substância usada em explosivos e também em defensivos agrícolas, e um caderno com lições sobre finanças no qual estavam escritas as palavras "Al-Qaeda" e "Taleban", entre outras expressões vinculadas ao terrorismo.

O veículo dirigido por ele foi exaustivamente revistado, mas nenhum material comprometedor foi encontrado. O conteúdo da mochila não foi considerado perigoso, mas será submetido a novas análises pelo FBI.

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