Polícia italiana mantém investigação para desmantelar Cosa Nostra

Após a detenção do máximo líder da Cosa Nostra, Bernardo Provenzano, o fugitivo mais procurado da Itália, a polícia tenta capturar agora os homens que o ajudaram nos últimos anos. Menos de 24 horas após a detenção, que deixou sem liderança uma das organizações criminosas mais poderosas da Europa, os mesmos investigadores e agentes detiveram três colaboradores de Provenzano em Corleone, a região natal e feudo do grupo mafioso. Os últimos capturados são acusados de "cuidar das comunicações e da logística" do número um da Cosa Nostra, a quem faziam chegar roupa, comida e os famosos "pizzini" (bilhetes datilografados) que usava para se comunicar com a família e os colaboradores. Os detidos são o pastor Bernardo Riina, de Calogero e Giuseppe Lo Bue (pai e filho), este último colega de trabalho de um dos filhos de Provenzano, Angelo, que vive em Corleone com sua mãe. A polícia acredita que os três faziam parte de uma ampla rede de "carteiros" e encobridores que os investigadores tentam desmantelar graças, entre outras coisas, ao conteúdo de várias cartas de líderes mafiosos locais encontradas na casa de campo que servia de esconderijo para a organização. Nelas são abordadas questões como a gestão de contratos públicos e aparecem muitos nomes que até agora estavam fora das investigações dos promotores sicilianos, segundo fontes da polícia. A polícia também capturou nesta quarta-feira o proprietário da casa que servia de refúgio para Provenzano, Giovanni Marino, um pastor que as autoridades acreditam ser o principal contato do líder mafioso com o mundo exterior. Provenzano passou um período como fugitivo relativamente longe de seu povoado, embora sem sair da ilha da Sicília, mas "há algum tempo voltou para Corleone, seguramente entre o final de 2004 e o início de 2005", detalhou nesta quarta-feira o promotor adjunto da Direção Antimáfia de Palermo, Michele Prestipino. Prestipino acrescentou que a rede de comunicação e apoio de Provenzano sofreu um duro golpe em janeiro de 2005, quando foram detidos muitos de seus cúmplices. O promotor lembrou que a pista que permitiu a prisão de "Zio Binu", como Provenzano era conhecido, foram "os pacotes que chegavam para ele pontualmente". "Seguindo esta pista, chegou-se ao casarão, e somente na terça-feira de manhã tivemos a certeza de que era ele", assinalou. O mafioso estava em uma casa de campo a cerca de dois quilômetros de Corleone, de onde movimentava a histórica máfia siciliana, que segundo as autoridades contava na última década com cerca de 130 clãs, que forneciam um "exército" de 50 mil filiados. A casa tinha dois quartos e um banheiro, e tinha acesso a um pátio aberto que levava a uma espécie de armazém de palha com utensílios de fazenda, uma mesa de madeira e várias cadeiras. No casarão havia uma televisão, uma estufa elétrica e um fogão, e a polícia encontrou várias cópias da Bíblia e um exemplar do livro "A Ação. Técnica de luta contra o crime", escrito pelo coronel dos Carabinieri Sergio de Caprio, mais conhecido como "Capitão Último". De Caprio foi um dos artífices da captura em 1993 do antecessor de Provenzano na cúpula da Cosa Nostra, Salvatore "Totó" Riina, condenado à prisão perpétua.

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