AP Photo/Evgeny Feldman
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Polícia liberta líder opositor russo após protesto contra Putin

Alexei Navalni foi solto na noite de domingo após jornada de manifestações convocadas por ele contra a reeleição de Vladimir Putin; apesar de impedido de disputar o Kremlin, Navalni é considerado o único adversário viável de Putin

O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2018 | 11h57

MOSCOU - O opositor russo Alexei Navalni, que havia sido detido durante um protesto em Moscou, foi libertado no domingo à noite, após um dia em que milhares de pessoas responderam a sua convocação para manifestações contra o que ele chama de "pseudoeleições" de 18 de março.

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"Me libertaram", escreveu no Twitter o opositor, que também havia informado sobre sua detenção na rede social. "Hoje foi um dia importante (...) obrigado a todos que não têm medo de lutar por seus direitos", completou Navalni.

O líder opositor foi detido na tarde de domingo foi detido depois de se reunir a seus simpatizantes na avenida Tverskaya, no centro da capital russa. "Fui detido", escreveu Navalni em sua conta de Twitter. "Não quer dizer nada. Venham à [avenida] Tverskaya. Vocês não vieram aqui por mim, mas por vocês e seu futuro", acrescentou.

Navalni foi acusado por "violação ao procedimento relativo à organização de uma manifestação", indicou a polícia em um comunicado.

Em Moscou, cerca de 4.000 pessoas, segundo estimativas da agência France-Presse (cerca de 1.000 segundo a polícia), participaram do protesto, cercado por um impressionante dispositivo de segurança. "Estou aqui para mostrar que não é justo impedir Navalni de participar da eleição", disse Alexandra Fedorova, de 27 anos.

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Em São Petersburgo, cerca de 1.500 manifestantes gritavam "Rússia sem Putin", rodeados por um grande dispositivo policial, e depois se dispersaram. "Quero uma mudança. Estamos cansados de viver neste pântano, é por isso que estou aqui", explicou Andrei Petrov, de 20 anos.

Milhares de manifestantes protestaram em cerca de 120 cidades na Rússia central, na Sibéria e no extremo oriente russo, apesar de temperaturas de -45ºC. Segundo a ONG russa OVD-Info, ao menos 180 militantes foram detidos em todo o país.

Antes do início dos principais protestos, em Moscou e São Petersburgo, a polícia tinha invadido o escritório central de Navalni para impedir a transmissão ao vivo da cobertura de uma série de protestos no leste do país. A polícia também prendeu vários funcionários do Fundo de Luta contra a Corrupção, informou a equipe de Navalni.

"É um engano"

A dois meses das eleições, Navalni chamou os russos a se manifestarem com o lema "Isto não são eleições, mas um engano". Manifestar-se contra o Kremlin "é nossa arma política", declarou no domingo em um vídeo o carismático blogueiro anticorrupção.

O porta-voz de Putin, Dimitri Peskov, advertiu que as marchas não autorizadas terão "consequências". A prefeitura de Moscou, que não tinha autorizado a manifestação de domingo, disse que exigiria "medidas judiciais" contra o opositor.

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Navalni, de 41 anos, foi detido em três ocasiões em 2017 por organizar manifestações não autorizadas que terminaram com centenas de prisões. Ele é considerado o único político capaz de ser um adversário viável de Putin, e construiu um forte movimento de protesto apesar da contínua perseguição policial.

Em sua opinião, as próximas eleições não serão mais que uma nova nomeação de Putin, que deve conquistar seu quarto mandato presidencial, prolongando seu poder no Kremlin até 2024.

No ano passado, Navalni aumentou os esforços em sua aposta para se apresentar às eleições, mas a comissão eleitoral rejeitou sua candidatura devido a uma condenação judicial que, segundo o opositor, teve motivos políticos.

Navalni disse que usaria toda a força da sua campanha para organizar "greves de eleitores" e instar os russos a não votarem nas presidenciais.

Após 18 anos de liderança, como presidente e primeiro-ministro, a popularidade de Putin começa a perder força em todo o país. A maior preocupação do Kremlin é que a participação na eleição seja baixa, o que debilitaria um novo mandato de Putin, indicam os analistas. / AFP

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