Polícia londrina investiga violência em protestos estudantis

Carro do príncipe Charles foi atacado por manifestantes, que reagiam a aumento nos custos do ensino universitário.

BBC Brasil, BBC

10 de dezembro de 2010 | 19h06

A polícia londrina iniciou uma investigação dos protestos estudantis que ocuparam o centro da capital londrina por vários dias ao longo do último mês, em reação ao aumento nos custos da educação superior na Inglaterra.

Na última quinta-feira, quando o aumento foi aprovado no Parlamento, os protestos culminaram com um ataque ao carro que levava o príncipe Charles, herdeiro do trono inglês, e sua mulher, Camilla Parker-Bowles.

Uma janela foi quebrada e bolas de tinta atingiram o veículo, mas o casal, que se dirigia ao teatro London Palladium, não se feriu.

A investigação policial almeja identificar os responsáveis pelos atos de violência perpetrados durante as manifestações.

Há relatos de confrontos com a polícia, quebra de janelas de lojas e de prédios públicos e atos de vandalismo contra estátuas, incluindo a de Winston Churchill. A árvore de Natal gigante da Trafalgar Square foi incendiada.

A Scotland Yard disse que 12 policiais e 43 manifestantes foram feridos e 33 pessoas foram presas. A maioria delas foi solta após pagar fiança, e não houve acusações.

A Comissão Independente de Reclamações contra a Polícia está investigando a alegação de que o estudante universitário Alfie Meadows, de 20 anos, ficou com sérios ferimentos na cabeça após ser atingido por um cassetete.

Os estudantes criticaram as ações da polícia e disseram que a violência policial provocou a situação.

Rotas alternativas

A polícia londrina também foi criticada por especialistas de segurança por supostamente falhar na proteção ao príncipe Charles.

Segundo os especialistas, a polícia deveria ter elaborado rotas alternativas para o carro que o levaria.

Em contrapartida, um porta-voz da família real disse que o casal real "compreende completamente as dificuldades que a polícia enfrenta e é sempre muito grato à polícia pelo trabalho em circunstâncias difíceis".

Em comunicado, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que é preciso aprender lições com as falhas de segurança que permitiram que os manifestantes atacassem o carro.

O premiê David Cameron disse que os responsáveis devem ser punidos

Cameron disse ainda que, apesar dos erros, o incidente não foi culpa da polícia, e sim dos manifestantes.

"A responsabilidade de destruir propriedade alheia e da violência é das pessoas que perpetraram essa violência, e eu quero vê-las presas e punidas corretamente."

Alterações nas taxas

Pelo projeto aprovado nesta quinta, o piso das anuidades em universidades inglesas passará, em 2012, de 3.290 libras (R$ 8,9 mil) para 6 mil libras, e algumas universidades poderão cobrar até 9 mil libras em "circunstâncias excepcionais" - se oferecem, por exemplo, bolsas e programas que incentivem estudantes mais pobres a cursá-las.

As anuidades podem ser pagas por empréstimos do governo, mas os estudantes têm de quitá-los quando estiverem ganhando um salário anual a partir de 21 mil libras.

O governo qualificou as mudanças de "justas", em especial em um momento em que o país implementa medidas de austeridade para combater seu deficit público. Já os estudantes dizem que o aumento encarecerá demais os empréstimos.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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