Polícia mata ao menos três manifestantes em protestos no Nepal

A polícia matou pelo menos três pessoas e deixou aproximadamente 50 feridos no Nepal nesta quinta-feira, ao abrir fogo contra manifestantes que protestavam contra a monarquia autárquica do rei Gyanendra. De acordo com fontes da aliança dos sete partidos da oposição ao rei, os manifestantes participavam de uma passeata na região de Kalanki. A localidade fica dentro da área de 27 quilômetros de raio que circunda a capital onde vigora o toque de recolher. Nesta quinta-feira, termina o prazo de 18 horas no qual o governo impôs restrições à circulação para impedir as mobilizações de protesto, que se intensificaram nos últimos dias. Outras duas pessoas podem ter morrido no incidente de Kalanki e mais uma em Gwarko, ao leste da capital, indicam relatórios da oposição ainda não confirmados. Kashinath Adhikari, do Partido Comunista do Nepal (CPN-UML), disse que "o fogo começou por volta das 13h30 (4h45 em Brasília), e continua". Os feridos foram levados para hospitais locais. Eles receberam atendimento médico de emergência em farmácias próximas, porque não havia ambulâncias devido ao toque de recolher. A rádio estatal informou que "a polícia saiu da via circular, onde não vigora o toque de recolher, e atirou contra os manifestantes". Adhikari afirmou que várias pessoas fizeram uma manifestação nesta quinta-feira a favor da democracia e contra o regime autárquico do rei Gyanendra, que exerce o poder absoluto há 14 meses. Pelo menos 14 ativistas morreram nos 16 dias de protestos e greve geral. Os manifestantes teriam sido baleados ou agredidos pelas forças de segurança, de acordo com a oposição. A atual onda de mobilizações começou no dia 6 e tem como exigência fazer com que o rei Gyanendra deixe o poder absoluto, restaure o Parlamento e convoque eleições constituintes para decidir o futuro deste pequeno reino aos pés do Himalaia. Em algumas partes da cidade, as pessoas subiram nesta quinta nos telhados das casas, de onde gritam frases contra o monarca. A convocação para mais este ato foi feita por mensagens de celular, já que a comunicação telefônica ainda não foi cortada. Milhares de pessoas tentam romper os bloqueios policiais e entrar na cidade. Katmandu está novamente tomada por policiais e militares nesta quinta-feira, para conter os protestos que já duram mais de duas semanas. O toque de recolher com duração de 18 horas a partir das 2h (17h15 em Brasília) de quarta-feira manteve as ruas da capital vazias. Os escritórios estão fechados e nem mesmo houve a entrega de jornal e leite nas casas. No povoado de Baglung, cerca de 300 quilômetros a oeste de Katmandu, dentro da área de restrição, vários líderes ficaram feridos em confrontos com as autoridades quando participavam dos protestos. Houve manifestações em diferentes partes do reino. A oposição afirma que cerca de 20 mil pessoas participaram dos protestos.

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