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Polícia mata homem suspeito por atentados em Copenhague

Jovem que trocou tiros com a polícia era dinamarquês e tinha 22 anos; balanço dos ataques soma dois mortos e cinco feridos

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2015 | 10h32

(Atualização às 16h)

PARIS - A polícia da Dinamarca matou o suspeito de ter perpetrado dois atentados em Copenhague no sábado, 14. Segundo comunicado oficial, o jovem era dinamarquês, tinha 22 anos e possuía antecedentes criminais. A polícia não divulgou seu nome.

As ações aconteceram contra um café e centro cultural e contra uma sinagoga da capital entre o final da tarde e o final da noite e deixaram dois mortos e cinco feridos. De acordo com a premiê dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, tratam-se de "atos terroristas cínicos" que põem o país na rota dos recentes atentados na Europa.  

A tentativa de captura e a morte do suspeito aconteceram em um apartamento situado nas imediações da estação central de trens de Nørrebro, no coração de Copenhague. Após resistir à prisão, o suspeito abriu fogo contra a política e acabou abatido a tiros. Ele fora localizado graças ao testemunho de um motorista de táxi que o havia transportado após abandonar o automóvel Volkswagen Polo que conduzia durante o primeiro ataque. A seguir, o homem foi filmado por câmeras de vigilância, que orientaram a polícia.

"Nós acreditamos que se trata do mesmo homem que foi autor dos dois ataques", afirmou em entrevista coletiva Torben Moelgaard Jensen, porta-voz da polícia.

De acordo com as investigações, o homem morto é o único suspeito dos ataques perpetrados no sábado. O primeiro dos atos terroristas havia sido perpetrado por volta das 15h30, horário local, 12h30 em Brasília, contra o café e centro cultural Krudttønden - "Barril de pólvora", em dinamarquês -, situado a 3,7 quilômetros do centro de Copenhague. No local acontecia uma conferência "Arte, blasfêmia e liberdade" que debatia o atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo, em 7 de janeiro, em Paris. Dele participava o historiador de arte e chargista sueco Lars Vilks, autor de charges com uma representação de Maomé, em 2007, e que desde 2010 vive sob proteção policial.

Esse ataque resultou na morte do diretor de cinema dinamarquês Finn Nørgaard, de acordo com veículos de imprensa locais. Três policiais ficaram feridos.

Um segundo atentado aconteceria horas mais tarde, perto da meia noite, contra a sinagoga de Krystalgade, também na capital. Embora o templo judaico estivesse sob proteção policial, o vigia judeu Dan Uzan, de 37 anos, acabou assassinado. O agressor não conseguiu ingressar no interior do prédio, o que, para o presidente da comunidade judaica da Dinamarca, Dan Rosenberg Asmissen, evitou "a repetição do pesadelo que se passou em Paris", já que 80 pessoas acompanhavam uma cerimônia. Por razões de segurança, os frequentadores tiveram de permanecer duas horas em um banheiro.

Ao longo do domingo, a polícia realizou várias batidas para buscar mais informações sobre o suspeito morto. Os investigadores também analisam a eventual participação de cúmplices na ação.

"Esta é uma manhã muito triste, na qual nós pensamos nas vítimas e em seus próximos", disse a primeiro-ministro, Helle Thorning-Schmidt, que depositou flores na sinagoga. "Duas pessoas perderam a vida em dois atos terroristas cínicos contra a Dinamarca."

Em Tel-Aviv, o primeiro-ministro de Israel, Benyamin Betanyahu, voltou a exortar os judeus da Europa a migrar em massa para seu país, onde, segundo ele, estariam em segurança. "Mais uma vez um judeu europeu foi morto porque era judeu e este tipo de atentado deverá se reproduzir", advertiu, afirmando que seu país está "preparado para acolher uma imigração de massa proveniente da Europa."

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