Polícia mexicana recupera controle do centro de Oaxaca

Foram necessárias seis horas para a Polícia Federal Preventiva (PFP) concluir a missão de restabelecer a ordem ordenada pelopresidente do México, Vicente Fox, no sábado, um dia após uma escalada de violência que deixou quatro mortos, entre eles um jornalista americano. Ao amanhecer, centenas de efetivos da PFP, comescudos, cassetetes e projéteis de gás lacrimogêneo, se posicionaram em vários pontos dos arredores da cidade, em frente a dezenas debarricadas que os manifestantes haviam reforçado quando se tornou clara a intervenção. Os defensores das barricadas, muitos delesmoradores de bairros populares, mantiveram durante toda a manhã uma queda-de-braço psicológica, marcada pelos vôos constantes de helicópteros da Polícia federal e advertências dos Manifestantes. Com diversos cartazes, que pediam o fim da repressão, os manifestantes demonstraram em pouco tempo que não desistiriam tão facilmente como tinham anunciado. Apesar de terem reiterado que sua intenção era deixar que a PFP retirasse as madeiras, pneus e caminhões que bloqueavam asruas, sem oferecer resistência, a situação foi muito diferente quando os policiais iniciaram a ação. No fim do dia, a Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO), um agrupamento de organizações sociais que liderou as manifestações aolado dos professores, denunciou a morte de Jorge Alberto López Bernal, de 15 anos, que prestava serviços de saúde em algumasbarricadas. A APPO fez a denúncia antes de pedir a seus seguidores que deixassem a praça principal de Oaxaca, seu centro de operações, que foi tomada pelas forças federais. Em meio a uma densa fumaça, os dirigentes da APPO decidiram retirar-se para a "Rádio Universidade", único meio de comunicação controlado pelogrupo além de ser uma base deorganização, localizada no sul de Oaxaca. Esta segunda-feira pode ser um dia-chave para a cidade, pois boa parte dos professores informou que retornará às salas de aula, após conseguirum acordo com o governo federal. Por sua vez, a APPO disse que fará várias manifestações para levar adiante uma nova estratégia de resistência pacífica.

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