Polícia não controla protestos em Oaxaca, no México

O governo mexicano reconheceu nesta terça-feira ainda não ter o controle completo da cidade de Oaxaca, capital do estado que leva o mesmo nome. No entanto, o governo enviou centenas de policiais federais, que viram os manifestantes erguerem novas barricadas e se recusam a abrir mão do domínio da capital após cinco meses de protestos.As escolas continuam fechadas e a maioria dos negócios ao redor do tenso centro da cidade também seguem sem abrir, já que os manifestantes mantém seus pedidos pela renúncia do governador Ulises Ruiz, quem acusam de oprimir opositores e de fraudar a eleição de 2004. O Congresso do México engrossou o coro na segunda-feira, instando Ruiz a deixar o cargo como uma medida de boa-vontade, no sentido de resolver o conflito que paralisou a cidade desde maio. Mas Ruiz recusou o pedido. Apesar de os professores em greve terem prometido voltar ao trabalho na segunda-feira, apenas 4 mil das 13 mil escolas do estado abriram na terça-feira, todas fora da capital. Mesmo com a insistência do presidente Vicente Fox na segunda-feira, de que "a ordem social e a paz foram restauradas", na capital, ao menos um policial federal reconheceu que isso ainda não aconteceu."Eu não acho", disse à estação "Televisa" o vice-secretário do Interior, Arturo Chavez, nesta terça-feira. "Estamos caminhando em etapas. Trabalhamos no sentido da ordem". Na segunda-feira, grupos de jovens andaram pelas ruas do centro da cidade jogando coquetéis molotov contra as forças policiais, e querendo continuar lutando. Carcaças de veículos queimados podem ser vistas em diversas ruas. A embaixada americana divulgou uma declaração aconselhando os americanos a não viajar a um dos principais destinos turísticos do México "devido a esse aumento da violência". O Congresso mexicano aprovou uma resolução pedindo a renúncia de Ruiz - principal demanda dos manifestantes - enquanto o líder zapatista rebelde Subcomandante Marcos e o ex-candidato a presidente Andres Manuel Lopez Obrador pediram por protestos em outras cidades mexicanas em apoio aos manifestantes de Oaxaca. As manifestações começaram em maio com uma greve de professores, mas rapidamente criou uma caos na cidade, quando estudantes e grupos indígenas tomaram a praça central e fizeram barricadas nas ruas, demandando a deposição do governador. Fox, que não queria enviar forças federais a Oaxaca, o fez neste sábado, após a morte de um jornalista americano. Os policiais federais logo entraram em confronto com os manifestantes. Ruiz se recusa a renunciar e acusou os "grupos radicais" da Cidade do México de fomentar os confrontos em Oaxaca.Enquanto isso, os manifestantes ocuparam pacificamente outra praça da cidade, onde pretendem estabelecer sua nova base, a cinco quarteirões da praça principal de Oaxaca, da qual foram expulsos no domingo durante os confrontos com a polícia. Milhares de professores e esquerdistas caminharam pelas ruas da cidade na segunda-feira gritando "Lute, lute, lute! Não pare de lutar!", antes de entrar em confronto com a polícia, que fazia a guarda da praça principal. Caminhões do Exército usaram canhões de água para apagar o fogo que os manifestantes acendiam. A polícia usou também gás lacrimogêneo em resposta aos coquetéis molotov e fogos de artifício lançados contra os policiais. "Deixem eles ficarem!" disse Edith Mendoza, dona de casa de 40 anos, sobre a polícia. "Somos reféns há cinco meses." Policiais federais têm dito que a polícia ficará na cidade o quanto for necessário para restaurar a ordem, mas aparentemente não há um contingente suficiente para realizar o trabalho.Oito pessoas morreram em confrontos desde que os manifestantes tomaram a cidade no final de maio. Os manifestantes alegam que a polícia e forças governamentais, à paisana, têm atirado nos manifestantes, desencadeando a violência. Entre os mortos, está o jornalista-ativista americano Bradley Roland Will, 36. Os manifestantes afirmam que a polícia atirou nele

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