Polícia paquistanesa acusa 68 advogados de blasfêmia durante protesto

A polícia paquistanesa registrou um caso de blasfêmia contra 68 advogados que realizaram um protesto público após um policial ter detido um de seus colegas, disse uma autoridade nesta terça-feira, na mais recente onda desse tipo de acusações no país.

SYED RAZA HASSAN, Reuters

13 Maio 2014 | 09h41

Analistas dizem que o aumento das acusações de blasfêmia é um preocupante sinal de que o país de 180 milhões de habitantes, que possui armamento nuclear, está se tornando menos tolerante em um momento em que as ideias dos militantes islamitas começam a entrar no eixo principal da política nacional.

A lei da era colonial não define o que é blasfêmia, mas a acusação pode resultar na pena de morte. Apresentar provas pode ser considerado uma nova infração, então juízes relutam em ouvir os casos.

Juízes que libertam acusados de blasfêmia foram atacados e dois políticos que sugeriram reformas na lei foram mortos a tiros. Muitos absolvidos foram linchados.

As acusações de segunda-feira seguiram um protesto no qual advogados gritaram slogans contra o policial de alta patente Umar Daraz por alegadamente ter detido um advogado de maneira ilegal, no distrito de Jhang, centro do Paquistão.

“Os advogados estavam protestando contra a polícia, utilizando linguagem inadequada e o nome do inspetor”, afirmou o policial Zeeshan Asghar à Reuters.

Um dos companheiros do profeta Maomé, fundador da religião islâmica, se chamava Hazrat Umar. Por isso, um membro de um partido sectário de extrema direita reclamou que seus sentimentos religiosos foram ofendidos porque os advogados usaram o nome “Umar" no protesto, e apresentou queixa à polícia.

Acusações de blasfêmia aumentaram no Paquistão recentemente, de acordo com pesquisa de 2012 feita por um centro de estudos de Islamabad, mostrando que houve 80 casos em 2011, contra apenas um em 2001. Dados mais recentes não estavam disponíveis.

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