Polícia paquistanesa impede Bhutto de sair de casa

Policiais paquistaneses impediram, nasexta-feira, que a líder oposicionista Benazir Bhutto saísse dacasa dela, em Islamabad, e fecharam a capital e a cidadevizinha de Rawalpindi a fim de impossibilitar a realização deuma passeata contra o presidente do país, Pervez Musharraf. Bhutto, a figura pública com maiores possibilidades demobilizar grandes manifestações contra a decisão de Musharrafde impor um estado de emergência, tentou romper a barreira deisolamento e pediu aos policiais que a deixassem sair. "O governo foi paralisado", gritou Bhutto a simpatizantesque estavam do outro lado de uma barricada formada por aramesfarpados. Dois ônibus e um veículo blindado bloqueavam a rua da casada oposicionista, uma ex-primeira-ministra do país. "Se ele restabelecer a Constituição, tirar seu uniforme,abrir mão do cargo de chefe das Forças Armadas e anunciar umaeleição para até 15 de janeiro, então tudo estará bem",afirmou, prometendo resistir caso o dirigente não atenda aessas demandas. Após dar essas declarações, Bhutto entrou novamente paradentro de sua casa. Musharraf, que subiu ao poder por meio de um golpe brancoocorrido em 1999, disse na quinta-feira que as eleições seriamrealizadas no dia 15 de fevereiro, cerca de um mês depois dadata inicialmente prevista. O presidente também anunciou que abandonaria o comando dasForças Armadas e que tomaria posse para dar início a um novomandado presidencial como civil depois que os novos integrantesda Suprema Corte rechaçassem as ações que questionam areeleição dele. Resta saber se Musharraf, que via Bhutto como uma aliada empotencial, conseguirá controlar a cadeia de eventos detonadapela surpreendente decisão dele, anunciada no sábado passado,de impor um estado de emergência e suspender a Constituição. BOMBA Na sexta-feira, um aparente atentado suicida realizadoperto da casa do ministro paquistanês de Assuntos Políticos,Amir Muqam, na cidade de Peshawar (noroeste), matou trêspessoas, disse o canal Pakistan Television. O ministro saiuileso. Em Peshawar e em uma cidade próxima, pouco antes, a políciahavia usado cacetes e bombas de gás lacrimogêneo para dispersarcentenas de manifestantes da oposição, disseram as forças desegurança e testemunhas. Um grupo de ex-dirigentes de vários países, entre os quaisNelson Mandela e Jimmy Carter, criticou a medida de emergênciaadotada por Musharraf. O grupo, chamado de Os Anciãos, divulgou um comunicado deapoio a "todos os paquistaneses amantes da liberdade queoptaram por realizar manifestações pacíficas de oposição aesses atos ditatoriais."(Reportagem adicional de Augustine Anthony, Zeeshan Haider eRobert Birsel)

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