Polícia paquistanesa prende ex-presidente Musharraf

A polícia paquistanesa prendeu nesta sexta-feira o ex-presidente Pervez Musharraf para enfrentar acusações de que abusou de seus poderes quando ocupava o cargo, marcando uma ruptura dramática com uma cultura em que os governantes militares eram intocáveis.

Reuters

19 de abril de 2013 | 14h36

O também ex-chefe do Exército tinha a esperança de recuperar sua influência ao concorrer em uma eleição geral em maio, mas, em vez disso, viu-se envolvido em um confronto com juízes que o enfrentaram enquanto ele ainda estava no poder.

No início desta sexta sexta-feira, um magistrado ordenou que Musharraf fosse colocado sob prisão domiciliar por dois dias antes de seu comparecimento a um tribunal sob acusação de detenção ilegal de juízes durante uma repressão ao Judiciário, em 2007.

Mais tarde, a polícia transferiu Musharraf para custódia em uma casa de hóspedes de sua sede em Islamabad, depois que um alto funcionário não emitiu a documentação necessária para ele ficar em prisão domiciliar, disse o porta-voz do ex-presidente, Mohammad Amjad.

"Ele foi transferido para uma casa de hóspedes da polícia para dois dias de prisão preventiva", disse Amjad.

Musharraf é acusado de violar a Constituição, colocando juízes sob prisão domiciliar depois de demitir o chefe da Justiça e impor um estado de emergência.

O escritório de Musharraf disse que as acusações contra ele são infundadas e foram inventadas por setores que descreveu como um "Judiciário com excesso de zelo" e "advogados inescrupulosos".

"As acusações feitas contra o ex-presidente no caso de detenção de juízes são falsas e politicamente motivadas", declarou o escritório em um comunicado.

Um dos advogados de Musharraf disse que iria apresentar uma petição para anular a ordem de prisão no Supremo Tribunal ainda nesta sexta-feira.

Juízes haviam sinalizado sua intenção de adotar uma linha dura com Musharraf quando ordenaram que seu caso fosse ouvido em um tribunal antiterrorismo, alegando que a detenção de juízes poderia ser considerada um ataque contra o Estado.

A televisão paquistanesa mostrou imagens de Musharraf deixando sua residência em uma propriedade exclusiva nos arredores de Islamabad em um SUV preto escoltado por veículos da polícia.

A exibição de um homem que no passado incorporou o controle do Exército sobre o Paquistão sendo forçado a responder aos juízes era um símbolo potente da maneira que a dinâmica de poder mudou no Paquistão, que tem sido governado por militares por mais da metade de sua história.

A eleição geral de 11 de maio será a primeira transição entre os governos liderados por civis no Paquistão.

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