Polícia paquistanesa reprime manifestação contra premiê

Forças de segurança do Paquistão entraram em confronto com milhares de manifestantes que marchavam em direção à residência oficial do primeiro-ministro Nawaz Sharif na noite de sábado, exigindo sua renúncia. Policiais da tropa de choque, apoiados por forças paramilitares armadas e pessoal do exército, dispararam gás lacrimogêneo e bloquearam o caminho para a residência.

AE, Estadão Conteúdo

30 de agosto de 2014 | 19h34

Sharif não estava no local e, segundo assessores, tinha viajado para Lahore, sua cidade natal e base política.

Os protestos, que tiveram início há duas semanas, são liderados pelo ex-jogador de críquete Imran Khan e pelo clérigo muçulmano Tahir ul Qadri. Após o primeiro-ministro ter rejeitado os pedidos para que renunciasse, Khan sugeriu que Sharif deixasse o cargo por um mês para que as eleições de 2013 sejam investigadas. A eleição de Sharif, no ano passado, marcou a primeira transição democrática da história da nação, mas Qadri e Khan alegam que houve fraude no processo.

Muitos dos manifestantes usavam máscaras de gás enquanto se dirigiam para os portões do complexo que abriga a residência do premiê, o parlamento e os escritórios presidenciais.

"Se eles tentarem alguma coisa, se eles usarem força, vamos defender esses edifícios. Eles são as propriedades e os símbolos do Estado", disse o ministro de Defesa, Khawaja Muhammad Asif.

Imagens de televisão mostraram pessoas com ferimentos nas pernas e braços, provocados por latas de gás lacrimogêneo. Os dois principais hospitais de Islamabad disseram que havia pelo menos 180 feridos, incluindo o pessoal de segurança, e que havia dois pacientes em estado grave.

Antes da marcha, Qadri pediu a seus partidários que o protesto fosse pacífico. "Agora, vamos passar à fase final da nossa revolução, mas vamos ficar tranquilos. Defender os valores que lhe ensinei", disse.

Khan pediu à polícia, às forças paramilitares e ao exército que não usassem violência contra os manifestantes. "Nós somos o seu povo", disse.

Mais de 30 mil homens das forças de segurança estão em Islamabad, segundo o Ministério do Interior. Oficiais da polícia disseram no sábado que mais de 20 mil manifestantes estavam acampados em frente ao parlamento. Fonte: Dow Jones Newswires.

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