Polícia prende 36 durante protesto da oposição no Zimbábue

Para autoridades, detidos tentavam convencer pessoas a aderirem greve geral para exigir resultado da eleição

Agência Estado e Associated Press,

16 de abril de 2008 | 09h14

A polícia do Zimbábue informou nesta quarta-feira, 16, que prendeu 36 jovens acusados de armar barricadas em ruas, depredar veículos e tentar convencer as pessoas a não trabalharem na terça-feira. Neste dia, a oposição convocou uma paralisação para pressionar pela divulgação dos resultados das eleições presidenciais.   Segundo o porta-voz da polícia, Wayne Bvudzijena, os acusados estavam na capital, Harare, e em outras quatro cidades. "Eles armaram barricadas em algumas vias e alguns deles estavam forçando as pessoas a fecharem lojas.". Um cinegrafista também foi detido enquanto filmava em Harare. O governo negou credenciais para muitos jornalistas estrangeiros e muitos repórteres foram detidos por cobrir a eleição sem permissão. Nesta quarta-feira, um juiz inocentou dois estrangeiros da acusação de cobertura ilegal das eleições.   A paralisação da terça-feira teve pouca adesão. Nesta quarta-feira, o tráfego estava ainda mais intenso em algumas ruas do país, o que sugeriria que o protesto não recebeu muita adesão popular. A dificuldade de mobilização pode também estar ligada à pobreza atual no país. A inflação atinge níveis alarmantes, enquanto 80% das população economicamente ativa sofre com o desemprego.   Os zimbabuanos esperam há 18 dias algum resultado da disputa para a presidência do país. A comissão eleitoral sustenta estar verificando votos e investigando anomalias no processo. Para a oposição, porém, o atraso é uma estratégia para o atual presidente, Robert Mugabe, ficar no cargo, que mantém há 28 anos   O principal líder da oposição, Morgan Tsvangirai, afirma ter ganhado o pleito, realizado em 29 de março. Contagens independentes apontam a vitória de Tsvangirai, mas não com vantagem suficiente para evitar um segundo turno. O Movimento pela Mudança Democrática, de Tsvangirai, entrou com ações para pressionar pela divulgação dos resultados. O Judiciário local, porém, julgou não haver irregularidade na demora.   A comunidade internacional também pressiona. Na terça-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu pela "rápida e transparente" divulgação dos resultados.

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