Polícia prende 73 membros dos Irmãos Muçulmanos no Egito

Novo golpe contra a associação islâmica prendeu pelo menos 73 membros da influente, mas ilegal organização Irmãos Muçulmanos a madrugada desta quinta-feira em sete províncias do Egito.Segundo dados da organização, as detenções aconteceram no Cairo, Gizé, Alexandria e várias províncias do delta do Nilo.Na lista de detidos divulgada pelos Irmãos Muçulmanos há ex-candidatos que disputaram as eleições parlamentares de 2005, diretores dos escritórios de vários deputados, professores universitários, engenheiros e empresários.Fontes do Ministério do Interior afirmaram que os ativistas disputariam as eleições para o Senado, em abril.O novo golpe contra os Irmãos Muçulmanos, a maior força da oposição egípcia, é mais um capítulo da campanha contra a organização conservadora iniciada em dezembro de 2005, quando a ela conquistou 88 cadeiras das 454 da Câmara.O assédio se intensificou em dezembro, depois de uma exibição de artes marciais em que vários estudantes da Universidade de al-Azhar, no Cairo, se vestiram como milicianos do grupo palestino Hamas.No mês passado, o Ministério do Interior decidiu levar 32 membros e oito dirigentes dos Irmãos Muçulmanos a tribunais militares, acusados de lavagem de dinheiro, de financiar do terrorismo e de pertencer a uma organização proibida que tenta derrubar ao governo por meios ilegais."A nova campanha de detenções faz parte das medidas preventivas lançadas pelo regime egípcio antes das eleições para o Senado", denuncia um comunicado da organização islâmica.A nota acrescenta que a campanha é uma "tentativa do regime de pressionar os Irmãos para diminuir a oposição às reformas constitucionais", defendidas pelo governo.Vários intelectuais e observadores políticos vêem as reformas constitucionais como uma tentativa de acabar com a presença dos Irmãos Muçulmanos na esfera política.As reformas se baseiam em uma emenda do artigo 5, que, caso seja aprovada, proibirá atividades políticas e partidos com bases religiosas.

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