Polícia prende 8 por morte de taxista na África do Sul

O moçambicano Mido Macia, de 27 anos, foi algemado na traseira de uma van da polícia e arrastado pelas ruas de um bairro de Johannesburgo

JOHANNESBURGO, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h05

Oito policiais sul-africanos foram presos ontem, acusados de envolvimento na morte, na terça-feira à noite, de um taxista moçambicano que foi algemado a uma van da polícia e arrastado pelas ruas de Johannesburgo. O episódio foi gravado pelo celular de um pedestre e divulgado pela imprensa sul-africana, causando comoção no país e no mundo.

O taxista moçambicano Mido Macia, de 27 anos, morreu na delegacia pelos ferimentos sofridos na cabeça e por hemorragia interna, segundo os primeiros resultados da autópsia.

Os ferimentos podem ter sido causados quando ele foi arrastado ou por ter sido agredido mais tarde, durante custódia policial. O taxista foi encontrado morto na cela duas horas depois de chegar à delegacia.

O escândalo provocado pelas imagens dos policiais algemando o taxista e arrastando-o pelo bairro de Daveyton, no leste de Johannesburgo, diante de uma multidão obrigaram as autoridades a tomar uma atitude.

Aparentemente, o taxista foi preso e "punido" por estacionar seu automóvel em lugar proibido, atrapalhando o trânsito. O presidente sul-africano, Jacob Zuma, qualificou o ocorrido de "horrível" e "inaceitável".

O comissário de polícia Riah Phiyega agradeceu a população por revelar um "comportamento insensível e inaceitável" e anunciou que oito policiais suspeitos de participação no episódio foram suspensos. O comandante da delegacia onde eles trabalham foi removido do cargo.

Pouco depois, a polícia informou que os oito suspeitos também foram detidos e comparecerão perante a Justiça sul-africana na segunda-feira.

A polícia divulgou um comunicado dizendo que o vídeo deixa claro que "os direitos de Mido Macia foram violados da forma mais extrema e o comportamento mostrado deve ser reprimido, quando cometido por uma polícia cujo papel é servir e proteger". A corporação disse que vai apoiar uma investigação independente do caso.

O escândalo é o mais recente entre policiais e deve minar a confiança na força policial da África do Sul, que em uma décadas passou de 120 mil membros para 200 mil. "Quando uma pessoa lida com 200 mil funcionários nunca é um ambiente fácil. Sempre podem ocorrer incidentes", disse o comissário.

Phiyega declarou que a polícia fará uma investigação interna e acrescentou que o comandante da delegacia de Daveyton foi destituído para que a investigação seja realizada sem nenhum obstáculo". / AP e AFP

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