Polícia prende até 300 em sede da oposição no Zimbábue

Autoridades afirmam que detidos são suspeitos de incitar violência; partido diz que até refugiados foram levados

Agências internacionais,

25 de abril de 2008 | 08h26

A polícia do Zimbábue invadiu nesta sexta-feira, 25, uma sede do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), partido opositor do presidente Robert Mugabe, e deteve pessoas sob a acusação de incitar a violência pós-eleitoral no país. A informação foi divulgada pelo porta-voz opositor, Nelson Chamisa, e posteriormente confirmada pelas autoridades. O MCD afirma que pelo menos 300 pessoas, incluindo membros da equipe, foram levados por cerca de 250 oficiais.  Veja também:  Navio com armas retorna à China O comissário Wayne Bvudzijena não soube dizer quantas pessoas foram presas nesta sexta-feira, mas afirmou que elas são suspeitas de "conexão com alguns crimes que foram cometidos no interior". Os resultados das eleições no Zimbábue, ocorridas em 29 de março, ainda não foram anunciados. O Movimento pela Mudança Democrática (MDC), da oposição, diz ter ganhado as eleições e que o atraso na divulgação dos resultados estende um conflito no qual 10 membros do MDC já foram mortos.  Segundo o porta-voz opositor, os agentes chegaram em ônibus e caminhões e levaram todos que estavam no local, inclusive as pessoas que procuraram refúgio na sede do partido em Harare, capital do Zimbábue, após ataques de grupos ligados ao governo. A policia confirmou que a operação foi efetuada e todos presos, "porque pensamos que entre eles há suspeitos" de atos de violência. Veremos", afirmou. Segundo a oposição, a maioria dos detidos - incluindo grávidas e mulheres com crianças pequenas - estavam procurando abrigo após serem atacados por partidários de Mugabe. "As casas deles foram queimadas", acusou Thokozani Khupe, vice-presidente do MDC. "Alguns foram brutalmente agredidos." A polícia também levou computadores e outros equipamentos. Além disso, procurava documentos relacionados às eleições, afirmou o MDC. A oposição e religiosos independentes acusam Mugabe de ações violentas após as eleições. Já o governo alega que os verdadeiros responsáveis pela violência são membros da oposição. Quase quatro semanas após a votação, nenhum resultado sobre a eleição presidencial foi divulgado. Nas eleições parlamentares, está ocorrendo um processo de recontagem para determinar o vencedor de várias cadeiras. A oposição acusa Mugabe de segurar o resultado, pois ele planeja manter o poder. Além disso, afirma que a situação é responsável pela morte de dez oposicionistas. Em visita à África do Sul, na quinta-feira, a subsecretária de Estado dos EUA para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, disse que o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, conseguiu uma "vitória clara" sobre Mugabe. "Esse governo está rejeitando a vontade das pessoas. Se elas tivessem votado em Mugabe, já teríamos o resultado", disse ela, baseando-se em contagens independentes. Os EUA pressionam o governo zimbabuano para encerrar o impasse.

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